Povos latino-americanos

O modelo MAS/IPSP como chave para a vitória da esquerda na América Latina

2020.10.26 18:37 DIOgenes_123 O modelo MAS/IPSP como chave para a vitória da esquerda na América Latina

O MAS/IPSP é a idealizada unidade da esquerda posta em prática. Seu segundo nome já reflete essa unidade: Instrumento Político Para a Soberania dos Povos. É uma união de partidos de esquerda, sindicatos, associações populares e grupos indígenas.
O que unifica esses vários grupos? Seu primeiro nome já providencia a resposta: Movimento para o Socialismo. Naturalmente, por se tratar de uma união de agrupamentos de esquerda, o caminho para o socialismo encontrado pelo MAS foi uma versão que pôde-se considerar branda para alguns: o Socialismo de Mercado , modelo de transição para o estágio superior do Socialismo.
O MAS desta forma compartilha muitas características com a política do Partido Comunista da China (partido este que também governa em coalizão junto a outros oito partidos que reconhecem o papel central do PCCh e associações de base e de esquerda). A ideia de um partido de esquerda com completa hegemonia, independente de quaisquer outros agrupamentos progressistas, é mais um preconceito liberal do que uma realidade efetiva.
A unidade ao redor do Socialismo de Mercado demonstrou-se historicamente como a mais robusta, prevalecendo tanto sobre o Modelo Soviético quanto modelos Social-democratas/social liberais europeus e latinos. É uma unidade tanto consequente (não se pode dizer o mesmo dos social-liberais) quanto sólida e didática (não se pode dizer o mesmo do modelo soviético).
A Didática da Luta de Classes dirigida
A Luta de Classes existe dentro do Socialismo. Aqueles que discordaram desta tese (Kruschev e Brejnev) foram os coveiros preliminares do Socialismo. No entanto, qual forma toma essa luta de classes? Mao Zedong e seus apoiadores apontavam a burocracia industrial e partidária e os elementos e mentalidade pequeno-burgueses da sociedade como inimigos da classe camponesa-proletária revolucionária. Assim, combateram ferrenhamente por uma década estes elementos, por via da Revolução Cultural. Visavam um pulo do Socialismo Primário ao Comunismo Avançado utilizando, ao invés de bases produtivas materiais fortes, bases ideológicas fortes.
A Revolução Cultural foi um fracasso tanto do ponto de vista maoísta (pois foi derrotada pela “reação”) quanto do ponto de vista do PCCh (pois não resolveu os gargalos econômicos do país). Deng Xiaoping, reinstituído no partido com apoio de Zhou Enlai, levou a cabo reformas que instituíram o Socialismo de Mercado.
O Socialismo de Mercado intensificou a urbanização e a proletarização de uma massa camponesa que desconheciam na prática a luta de classes principal do capitalismo: a luta entre proletariado e burguesia. O proletariado chinês também sentiu na pele uma outra relação importante do Capitalismo Moderno: a relação entre empresas de nações imperialistas com a periferia subdesenvolvida.
Também uma nova geração de quadros do partido comunista que nunca sentiram essas contradições na prática começaram a vê-las. A implementação parcial do capitalismo em convivência com elementos socialistas foi um processo certamente doloroso e confuso, porém profundamente didático. Foi liderado e conduzido pelo PCCh, não à sua revelia.
De tal forma que, no Leste Europeu e na Rússia, ainda que haja certa nostalgia soviética, as sociedades pós-socialistas tornaram-se extremamente reacionárias (ainda que em alguns casos em oposição ao Imperialismo norte-americano). Sem Horizonte Socializante nem direção de um Partido que construa o Socialismo, o retorno ao capitalismo leva ao completo retrocesso, sem didática ou aprendizado robusto. Como Cartago, as terras Soviéticas foram queimadas e salgadas para que nada lá nascesse.
Em um estágio primário do socialismo, o esquerdismo é infrutífero e a desistência é destrutiva. Resta, portanto, apenas a Luta de Classes dirigida. Esta é a similaridade entre as nações socialistas de Mercado de nossa época.
O Socialismo de Mercado, ao defender a Superação pela apropriação e a Negação da negação , unifica a esquerda por via da robusta filosofia hegeliana, ao invés dos típicos devaneios idealistas do anti-capitalismo (PSOL) e os primitivos posicionamentos desenvolvimentistas e/ou social liberais (PDT, PT e PSB). Não surpreende que nenhuma dessas agremiações consiga formar uma unidade consequente. O Marxismo cria unidade, sua ausência desunifica.
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2020.10.04 03:12 albertx56u Brasileiro x Americano os dois a 90 por hora, quem é mais ignorante?

Sempre vejo alguns brasileiros na net, como se fosse uma ondinha, chamando americano de burro e ignorante, e de fato uma boa parte da população é mesmo, mas o engraçado é o brasileiro falar tudo isso, o povo mais ignorante da América do sul, só sabe falar merda do que não conhece, acha que a china produziu o esse vírus, e elegeu um tiozão do pavê, e pra completar, esses BRs da net gostam de se gabar falando que pelo menos estudaram geografia, quando na verdade, não conhecem nem 5 paises do continente africano, se é pra ser hipócrita pra que falar? Fica na boa, parece que não quer entender nada, acha que uma discussão "americano não, estadunidense" vai mudar alguma coisa, se eu viajasse pra outro país eu não iria dizer que sou americano, diria que sou latino americano, que já faz parte da nossa identidade, a "América" já tem uma identidade e um controle em todo o mundo, não adianta querer mudar uma coisa tão forte e firmada em há tantos anos.
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2020.09.01 14:32 Des777soc Pantera Negra: O filme que nega e rememora o Partido dos Panteras Negras (um texto para quem já assistiu o filme)

Não tenho aqui a pretensão de fazer uma review do filme em seus aspectos cinematográficos, uma vez que tantos outros o farão de forma mais habilidosa, mas gostaria de abordá-lo em uma perspectiva política apontando a distonia entre o que inspira o filme e o que o filme busca inspirar, tudo entremeado pelos atropelos destes tempos de Temer e intervenção federal no Rio.
Começo desembaraçando a origem do personagem ficcional Pantera Negra que debutou no volume #52 do Quarteto Fantástico (Marvel Comics) de julho de 1966, sendo este o Rei T’Challa, protetor da nação ficcional de Wakanda. PHD em física por Oxford, inventor, cientista, político, estrategista e hábil caçador e para quem não sabe ainda, um homem negro. Transposto para a realidade, poderíamos considerar seu equivalente um dos fundadores do Partido dos Panteras Negras, uma organização socialista revolucionária, fundada por Bobby Seale e Huey P. Newton quatro meses depois do debut da criação de Stan Lee e Jack Kirby em outubro de 1966, esta exerceu primeiramente a função precípua de formação de milícias populares para monitoramento do comportamento dos oficiais do departamento de polícia de Oakland, Califórnia. Considerarei para a seguinte analise o arquétipo incorporado por Huey P. Newton, PHD em filosofia social, bolsista da UCLA, assassinado a tiros em 1989.
Partimos, portanto, do fato de que ambos (T’Challa e Huey) enquanto homens adultos, em um patamar educacional acima da média, líderes de comunidades negras, as coincidências acabam por aí (continuo mais a frente). Neste ponto apresento a outra metade da equação cinematográfica, Erik Stevens (Killmonger) o vilão encarnado por Michael B. Jordan, um órfão que emerge da máquina de guerra do império, um mercenário cujo único intento é vingar-se da morte do pai.
T’Challa encarna o herdeiro de uma nação superdesenvolvida no coração da África, se utiliza de um mineral raríssimo enquanto combustível possibilitando Wakanda a dar saltos tecnológicos muito a frente do “Ocidente” ao passo que se utiliza dessa mesma tecnologia para manter a nação oculta aos olhos dos colonizadores brancos. Uma alegoria do que a civilização africana poderia ter sido se jamais colonizada, que Disney agora vende como uma fantasia do que se permite ao espectador sonhar.
Erik Stevens (Killmonger) se apresenta como o brutamontes raivoso criado no gueto, conta vantagem de um sem números assassinatos, não esboça qualquer sentimento ao assassinar sua companheira por atrapalhá-lo em uma missão, facilmente transmutável num thug de gangsta rap ou num mano traficante do Rio, a personificação estrita de um bandido como se dá em “bandido bom é bandido morto” mas para ser assistido nos EUA, no Brasil e na China. Ele tem o único propósito de se utilizar da tecnologia de Wakanda para criar uma nova ordem, onde sob seu comando o ocidente será submetido aos mesmos horrores a que ele e toda sua gente foram submetidos. Obviamente que o mero esboçar desses horrores já fazem o espectador médio tomar partido.
A oposição entre os dois personagens (T´Challa e Killmonger) se dá de forma propositalmente unidimensional assim não é permitinda a dialética entre esses dois conhecidos espantalhos, o do escoteiro e o hooligan. T’Challa é intransigente quanto ao fato de não querer permitir que outros povos negros se utilizem da tecnologia criada em Wakanda para sua própria emancipação, isso se dá por princípios, entre os quais o da manutenção da tradição (sendo Wakanda uma monarquia tribal de caráter hereditário, cuja única forma de alternância no poder se dá através de uma luta ritual com outro líder tribal até a morte), portanto, não estamos falando de nenhuma democracia e o segundo princípio, o do nacionalismo, tantas vezes incorporado no grito de guerra “Wakanda para sempre” e pelo reconhecimento xenofóbico da dificuldade de se receber pessoas negras que não possuam a tatuagem signo da nação, algo que não impede a entrada do homem branco (ainda por cima um agente da CIA), em síntese, uma monarquia tribal nacionalista que se nega a prestar auxílio aos seus (descendentes, expatriados) em todo o mundo com base num princípio de centralização do poder e autopreservação. A possibilidade de apresentar uma nação negra ultra futurista como um exemplo de democratismo pleno e baseada em valores comunistas é algo que extrapola a criatividade de Disney e mesmo da Marvel Comics.
Killmonger é a revolução sem teoria, um anarquista que não vê as consequências de quebrar a máquina sem ter ideia do que a substituiria, o esquerdismo em um estado primitivo que Disney nos rememora que deve sempre ser temido, T’Challa é o intelectual orgânico que trabalha pelo status quo, tem a tecnologia, os fundos e poder centralizado em suas mãos e com estes luta pela manutenção das instituições burguesas.
Onde resta Huey P. Newton em toda essa fantasia? Um homem negro, socialista revolucionário, PHD em filosofia, que implementou programas comunitários de segurança alimentar para crianças e idosos, clínicas de saúde gratuitas, até mesmo uma escola dos Panteras Negras, esforços que no Brasil só podem ser comparados aos do MST. Em relação a esses dois espantalhos a quem ele mais se assemelha? O fim de qual dos personagens coincide com o do líder dos Panteras Negras? https://www.nytimes.com/1989/08/26/us/arrest-in-murder-of-huey-newton.html
Huey, esse personagem histórico que sucede o ficcional, a meu ver é repartido propositalmente em dois de forma irreconciliável na adaptação cinematográfica dos quadrinhos, ao ponto de alienar qualquer representação da crua realidade do enfrentamento dos Panteras Negras contra o establishment norte americano em sua incorporação pelo aparelho policial.
Por fim T’Challa fere de morte Killmonger num prolongamento do processo de sucessão que restou aberto por sua sobrevivência graças a interferência do sacerdote real, juiz do processo (manobra formal via STF?). T’Challa resgata a humanidade de Killmonger através de sua subjugação e o permite assistir um último pôr do sol em Wakanda, um vislumbre do devir que deveria se estender a todos.
Morto o revolucionário, reafirma-se o conservadorismo, a tradição e vivem felizes para sempre em seu paraíso artificial? Não. Qual o motivo para isso, se há algo ainda mais reacionário a se fazer? T’Challa vai a ONU entregar todos os segredos tecnológicos num grande ato de desprendimento, onde veremos um bando de líderes mundiais imensamente felizes, asiáticos, latinos, africanos…, mas ninguém que se assemelhe a Trump, Merkel ou Netanyahu. Tamanho desprendimento é impensável e por isso é facilmente encarado com candura pelos espectadores, entretanto, no dia 26/02/2018 vimos em primeira mão a transposição da fantasia para o mundo real na ainda mais inacreditável e absurda filantropia do governo Temer ao doar a Embraer para a Boeing.
Huey Newton não é lembrado nem como easter egg, personagem de fundo, pichação na parede, mas o mais aviltante, também não é permitido a Killmonger se assemelhar a ele, assim os Panteras Negras foram lembrados apenas por serem homônimos, uma coincidência abusada pelos direitistas que fingem terem sido violentados nas filas para o filme e pela esquerda pequeno burguesa que comemora um filme com staff predominantemente negro e a fantasia boba da Shangri-la no distante continente natal, motivo pelo qual foram criados memes que inundam as redes sociais americanas. Mas os Panteras Negras foram também lembrados pelos movimentos negros socialistas que se aproveitaram das grandes filas do recordista blockbuster da Marvel para fazerem protestos pela libertação dos 16 Panteras Negras que ainda permanecem presos, assim como da morte dos 8 integrantes que faleceram na prisão.
Os Panteras Negras constituíram um movimento social de legitima defesa de suas comunidades, assim como de assistência social via programas de alimentação infantil, de saúde, educacional e de informação. Foram perseguidos pelo FBI, vigiados, infiltrados, difamados, sabotados, alguns assassinados e tantos outros presos em uma campanha governamental para desacreditar e criminalizar o partido, esvaziar a organização de recursos e militantes. (A campanha contra as fake news manda lembranças).
Não quero com esse texto diminuir a conquista que é ter um staff predominantemente negro na indústria cinematográfica estadunidense, ainda mais após as mobilizações de 2016 e 2017, mas sim saudosamente lembrar e aspirar pelo dia em que um filme sobre o verdadeiro Pantera Negra, Huey P. Newton e a Wakanda criada nos guetos de Oakland em 1966 lote tantas salas e assentos quanto belíssima fantasia estilizada de Disney.
https://jornalggn.com.bnoticia/pantera-negra-o-filme-que-nega-e-rememora-o-partido-dos-panteras-negras-um-texto-para-quem-ja-assistiu-o-filme/
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2020.06.21 02:02 Cyberthinker Estou na Itália, horrorizado vendo o Brasil de fora. E tenho um amigo alemão que quer morar em Fortaleza, uma das cidades mais perigosas do mundo! O cara endoideceu ou tem sentido?

Estou na Itália, horrorizado vendo o Brasil de fora. E tenho um amigo alemão que quer morar em Fortaleza, uma das cidades mais perigosas do mundo! O cara endoideceu ou tem sentido?
Caminhando por uma cidadezinha na Itália, vejo esta cena inusitada: vários vendedores deixam as mercadorias fora da loja, fora de visão... e uns até fecham as lojas ao meio-dia e deixam os produtos lá fora!
https://preview.redd.it/n5di99vif5651.png?width=982&format=png&auto=webp&s=2ad8cee49c06641498faf8adc93fbffeae524eee
Sim, há lojas que fecham e ficam como essa na foto, sem ninguém dentro, vc pode entrar no hall de entrada e há algumas mercadorias ali. Talvez tenha câmeras? Não sei... Tudo bem que é uma vila calma do interior... Mas e se fosse no Brasil? Alguém já viu isso por aí?
Bem, eu sou de uma cidadezinha do interior de SC (que se gaba de ser um dos Estados mais seguros) e nunca vi nada disso. Na verdade nossa preocupação com segurança é constante. Nunca dá pra deixar nada no jardim com o portão aberto, as coisas somem, a casa nunca pode ficar sozinha... as casas de vários vizinhos já foram roubadas, já tentaram arrombar nossa casa algumas vezes, é apavorante vc estar em casa e ser acordado por ladrões tentando arrombar!!! Nunca deixamos o carro estacionado em qualquer lugar, já tivemos experiências ruins. Evitamos sair de noite, e tem várias notícias de roubos, assassinatos, principalmente de comerciantes.
Sempre gostei de morar no Brasil, defendo nossa terra e nosso povo, ressalto nossas qualidades e não perco as esperanças de que nosso país vai melhorar. Mas está difícil. As notícias, além da pandemia e do caos político, são de pessoas mortas por bala perdida, corpos esquartejados achados no lixo, tentativa de roubo seguido de morte, tiroteios, chacinas... Cansei de ver isso muitas vezes numa ÚNICA olhada nas notícias do dia!
Será que é normal? É assim no mundo inteiro ou o Brasil é um estado de barbárie? Será que a mídia brasileira está exagerando e só mostra tragédia? Claro que tbm vejo notícias de crimes na Itália, até conhecidos relatam que foram roubados... mas não vejo tanto... talvez porque vejo menos notícias da Itália, mas violência deve ter assim em todo lugar. Será? Basta pesquisar: os números mostram que infelizmente o Brasil é um dos países mais violentos do mundo.
Sou apenas um estudante latino-americano... se eu tivesse condições tiraria minha família do Brasil. Tem gente que pensa que morar na Europa é um mar de rosas... na verdade pode ser bem longe disso: muitos precisam recomeçar tudo do ZERO, nosso currículo brasileiro pode ter pouco valor fora, muitos não se adaptam, não conseguem se erguer, há quem se decepcione muito... Mas só o fato de não ter tanta violência acho que já é uma boa razão pra tentar.
Estou refletindo sobre isso porque um amigo alemão ganhou uma herança e quer comprar um imóvel em Fortaleza (porque diz que é o que o dinheiro dá e a imobiliária está tentando convencê-lo, fazendo propaganda como se fosse apenas um paraíso) e ele quer tentar morar lá. Como sou brasileiro, ele veio perguntar o que acho. Eu acho que ele está louco.

Enfim... como é morar em Fortaleza?
E qual é a visão de vcs sobre esse assunto? Se sentem seguros onde moram no Brasil/exterior?
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2020.03.30 16:26 meucat Analisando com critério cientifico, ha somente um antidoto eficaz e eficiente contra o coronavírus. A noticia ruim é que nos no ocidente não temos este antidoto.

Tenho escutado algumas teses que no inicio me pareciam bastante lógicas sobre como a pandemia está agindo no mundo. Algumas destas teses eu achava que tinham sustento, outras que nunca iam funcionar. Sempre tento analisar os dados diretamente da fonte e tirar conclusões a partir deles, nunca me guiar pelo que dizem os "espertos" da mídia.
1) A Itália e Espanha tem muitos idosos, vivem em clima frio estão tudo amontoado em pequenas cidades medievais, por este motivo morre muita gente. Esta hipótese sempre me pareceu correta, é a mesma que o Bolsonaro costuma divulgar. Hoje reconheço que é uma hipótese errada.
2) A quarentena vai nos salvar, a curva vai ser achatada, o problema é que se a curva for muito alta não tem hospitais para todos então a quarentena é o melhor caminho. Esta hipótese sempre me pareceu errada. Hoje reconheço que sim, ela é errada e eu tinha razão o tempo todo.
3) É importante que os governos tomem medidas urgentes para conter a pandemia. Somente uma politica centralizada e bem direcionada a partir do governo pode conter a expansão da doença. Hoje percebo que isto é uma grande besteira. Governos não podem fazer nada, por mais que tentem.
A grande sacada é que o que importa mesmo é a disciplina e o sentido social que tem dentro de cada pessoa, que faz com que ela tome atitudes que ja vem de muitas gerações anteriores, no sentido de no prejudicar o cara que está do lado.
Os orientais (chineses, coreanos ou japoneses) tem esta forma de encarar a vida, eles se sentem como formigas no formigueiro, ou abelhas no abelheiro, cada um sabe que pertence a uma coletividade que se prejudica o próximo se ferra também, então todas as ações destes povos estão sempre direcionados neste sentido.
Nos ocidentais por outro lado (mesmo americanos, latinos, grande parte de europeus) temos uma cultura individualista. MEUS direitos, MEUS bens, MINHA vida. Qualquer coisa e chama o advogado para brigar pelos MEUS direitos. A rua quebrou? a prefeitura tem que consertar, para isto EU pago os impostos. Nos países orientais é assim: a rua quebrou? eu vou la e conserto, é a minha obrigação, quanto mais rápido eu consertar, todos nos vamos beneficiar.
O resultado prático de toda esta ladainha é a seguinte:
a) Itália, 14 milhões de idosos, coronavírus chegou lá em fevereiro, taxa de mortalidade 1.500 a cada 10 milhões de habitantes
b) Japão, 35 milhões de idosos (2,5 vezes mais que a Italia e 2 vezes mais que o Brasil), coronavírus chegou lá também em fevereiro igual que Italia, taxa de mortalidade 4 (quatro !) a cada 10 milhões de habitantes
c) Itália, o governo central impôs uma quarentena total com fronteiras, comercio e transito completamente bloqueados,
d) Japão, sem quarentena, o governo apenas recomenda não aglomerar e seguir os padrões de saúde para estes casos, tudo está funcionando, comercio, viagens hotéis
Agora cada um tire as conclusões que quiser sobre "eficiencia das medidas do governo", "quantidade de idosos" e taxa de mortalidade.
So lembrando, na Italia morrem 1.500 (um mil quinhentos) pessoas por cada 10 milhões, no Japão morrem 4 (quatro !) a cada 10 milhões, ou seja 1.500/4 = 375 vezes menos.
https://www.clarin.com/sociedad/coronavirus-mundo-tasa-mortalidad-fuerte-variaciones-oriente-occidente_0_iRU9z3S7R.html
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2019.11.25 21:10 MoonGosling Existe uma nomenclatura "correta" para os povos nativos como um todo?

Então, eu sei que nem sempre é interessante agrupar todos os povos nativos brasileiros como se fossem um grande grupo só, mas hoje eu tava vendo o vídeo do CGP Grey sobre a terminologia usada nos EUA ("Índios" vs. "Nativos Americanos") e ele comenta que, visitando diferentes povos lá, e conversando com as pessoas desses povos, ele descobriu que o termo "Índios" pra eles criou uma certa identidade como "povos nativos dos EUA", apesar de, claro, ter as diferentes identidades de cada povo. Eu acho que como todo ou quase todo latino-americano que assistiu esse vídeo, eu fiquei meio assim quando ele fala que para muitos desses povos a palavra "Índio" é preferível a palavra "Nativo Americano" pois "Nativo Americano" pode significar uma pessoa pertencente a um povo nativo à qualquer parte do continente Americano, e, então, acaba incluindo muitos povos que não fazem parte da identidade de povo nativo dos EUA que eles tem, o que faz certo sentido. Exceto que a gente sabe bem que a palavra "Índio", assim como a palavra "America" não é exclusiva dos estadunidenses. Mas aí eu me toquei que eu sou só um cara que conhece poucas pessoas de povos nativos brasileiros, então eu queria saber se alguém aqui poderia me educar sobre a situação atual da identidade dos povos nativos brasileiros. Existe, de alguma forma, a construção de uma identidade comum enquanto "povos nativos brasileiros (ou mesmo sul americanos)", e, se sim, qual é a palavra ideal para identificar as pessoas desse grupo?
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2019.11.12 21:42 xi_save_earth Um guia para o golpe boliviano de 2019 (tradução automática)

Conteúdo original de https://pastebin.com/WWKsnBqR.
Reuni isso para combater os argumentos que tenho visto com mais frequência em relação ao golpe contra Evo Morales na Bolívia.

Reivindicação 1: Evo encheu o tribunal cheio de partidários para que ele pudesse se tornar presidente vitalício

Em 2016, foi realizado um referendo para determinar se Evo Morales seria capaz de concorrer à reeleição. Ele perdeu por pouco este referendo.
Evo Morales concordou em cumprir os resultados do referendo de 2016, impedindo sua candidatura à reeleição até o Supremo Tribunal reverter a decisão.
https://www.lostiempos.com/actualidad/pais/20171129/tribunal-constitucional-avala-reeleccion-indefinida-evo-morales
Muitos estabelecimentos ocidentais alegaram que Evo Morales lotou a corte para manter o poder. No entanto, esta afirmação é questionável.
A constituição boliviana de 2009, aprovada por referendo, especifica o processo pelo qual uma pessoa é submetida ao Supremo Tribunal Federal. Você pode ler a constituição completa aqui: https://web.archive.org/web/20090521023641/http://www.presidencia.gob.bo/download/constitucion.pdf
O processo é o seguinte: Os candidatos ao tribunal constitucional são pré-selecionados pela Assembléia Legislativa. Há um juiz correspondente a cada um dos nove departamentos (estados) da Bolívia. Cada estado vota em seu juiz e o vencedor do voto popular é colocado na quadra.
É absolutamente desonesto agir como se o processo de seleção boliviano fosse menos democrático do que o que existe na grande maioria do mundo. Nos Estados Unidos, os juízes da Suprema Corte são selecionados por uma pessoa (o presidente, que nem precisa ter ganho um voto popular em todo o país) e aprovados sem nenhuma contribuição dos cidadãos pelo Senado (a câmara do Congresso que menos reflete a popularidade vontade, pois é independente da população).
Evo está no poder desde 2006. Embora seja uma quantidade decente de tempo, não vamos esquecer que Angela Merkel é a chefe do ramo executivo da Alemanha desde 2005, e ninguém está questionando seu mandato.

Reivindicação 2: a eleição de 2019 foi cheia de irregularidades ou fraudada

Essa narrativa foi perpetuada pela OEA e por grupos de oposição na Bolívia sem provas.
A primeira alegação de irregularidades eleitorais foi publicada em um comunicado de imprensa da OEA (https://www.oas.org/en/media_centepress_release.asp?sCodigo=E-085/19). A reivindicação deles:
A Missão da OEA manifesta sua profunda preocupação e surpresa com a mudança drástica e difícil de explicar na tendência dos resultados preliminares revelados após o encerramento das pesquisas.
Às 19:40 do domingo, 20 de outubro, o TSE divulgou os resultados do TREP. Esses números indicavam claramente uma segunda rodada, uma tendência que coincidia com a única contagem rápida autorizada e o exercício estatístico da Missão. Nossas informações foram compartilhadas hoje com o TSE e o Ministério de Relações Exteriores.
Às 20:10, o TSE parou de divulgar resultados preliminares, por decisão do plenário, com mais de 80% dos votos contados. 24 horas depois, o TSE apresentou dados com uma inexplicável mudança de tendência que modifica drasticamente o destino da eleição e gera uma perda de confiança no processo eleitoral.
Para entender essa situação, é preciso primeiro entender o sistema eleitoral da Bolívia. Essa análise estatística, conduzida pelo Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington DC, fornece uma boa visão geral do sistema eleitoral: http://cepr.net/images/stories/reports/bolivia-elections-2019-11.pdf?v=2
Há potencialmente duas rodadas nas eleições presidenciais da Bolívia. Um candidato que recebe mais de 50% dos votos, ou pelo menos 40%, com 10 pontos percentuais de vantagem sobre o vice-campeão no primeiro turno, é declarado vencedor. Se nenhum candidato atender a um desses requisitos, os dois candidatos com mais votos deverão se enfrentar nas eleições de segundo turno.
...
O TSE possui dois sistemas de contagem de votos. O primeiro é uma contagem rápida, conhecida como Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP, a seguir denominada contagem rápida). Este é um sistema que a Bolívia e vários outros países latino-americanos implementaram seguindo as recomendações da OEA. Foi implementado para a eleição de 2019 por uma empresa privada em conjunto com o Serviço de Registro Cívico (SERECÍ), o serviço de registro civil, e foi projetado para fornecer um resultado rápido - mas incompleto e não definitivo - na noite das eleições para dar aos meios de comunicação uma indicação da tendência de votação e informar o público. É improvável que o TSE processe 100% dos resultados na contagem rápida de votos em todo o país devido a limitações logísticas e a quantia processada pode variar amplamente de acordo com a geografia e o tipo de votação. Por exemplo, no referendo constitucional nacional de 2016, processou 81,2% dos resultados antes de realizar uma conferência de imprensa por volta das 18h15. na noite da eleição. Os resultados do referendo autônomo de 2016 foram divulgados para cada jurisdição, com 66,7 a 100% dos resultados processados ​​às 19h30. na noite da eleição. Nas eleições judiciais de 2017, uma Missão de Especialistas Eleitorais da OEA elogiou o desempenho do sistema de contagem rápida por divulgar os resultados em 80%, por volta das 21h30.
O segundo sistema de contagem de votos é a contagem oficial (ou cómputo), que é juridicamente vinculativa sob a lei boliviana. A contagem oficial é mais completa e precisa e leva mais tempo. É o único sistema válido de contagem de votos, e o TSE o utiliza para determinar e anunciar os resultados finais das eleições.
Após a conclusão da votação, as cédulas individuais são contadas nas estações de voto e agregadas em actas ou folhas de registro. Para a contagem rápida não vinculativa, os resultados das folhas de registro são enviados aos operadores de verificação SERECÍ por meio de um aplicativo móvel, juntamente com fotos das próprias folhas. As fichas de registro são então enviadas fisicamente para um Tribunal Eleitoral Departamental (TED), onde as informações são verificadas e inseridas na contagem oficial.
O mesmo relatório também indica que o salto nas votações observado pela OEA não era apenas estatisticamente possível, mas provável. A interrupção nas transmissões do TREP ocorreu porque demorou mais tempo para a votação rural chegar. De qualquer forma, nenhuma irregularidade ocorreu na contagem oficial.
Além disso, uma análise das pesquisas de opinião na Bolívia antes das eleições parece mostrar resultados semelhantes. Pesquisas entre eleitores elegíveis mostraram que Evo recebeu entre 42,8 e 51,9% dos votos contra 25,6 a 34,3% de Mesa: https://www.as-coa.org/articles/poll-tracker-bolivias-2019-presidential-race
Os resultados oficiais das eleições, se é que mostram alguma coisa, mostram um leve impulso para Mesa, com Morales recebendo 47,08% e Mesa recebendo 36,51% dos votos. Esses resultados não são muito diferentes das pesquisas anteriores à eleição.
No entanto, no domingo, a OEA divulgou sua auditoria das eleições e recomendou uma nova eleição. Reservei um tempo para ler esta auditoria e determinar quais eram as suas queixas. Você pode encontrar o texto dessa auditoria aqui (em espanhol): http://www.oas.org/documents/spa/press/Informe-Auditoria-Bolivia-2019.pdf
Suas queixas, resumidas:
Criticou a segurança e o procedimento dos sistemas de computador, tanto para a contagem rápida quanto para a oficial, incluindo reclamações sobre como foi testado, configuração do servidor e controles de acesso ao software.
O redirecionamento de transmissões de certas máquinas na contagem rápida TREP para um servidor externo não reconhecido.
Uma análise de várias irregularidades relatadas constatou que 23% delas eram credíveis.
A OEA reconheceu a dificuldade de verificar os resultados nos municípios de Chuquisaca, Beni, Pando, Potosí e Santa Cruz devido à destruição de cédulas e equipamentos eleitorais. [NOTA: essa destruição pós-eleitoral do material eleitoral ocorreu durante protestos organizados pela oposição de Morales por manifestantes antigovernamentais https://www.thenation.com/article/bolivia-elections-morales/]
Faltava segurança processual das eleições em vários distritos (regras que não são seguidas pelos funcionários eleitorais locais)
Em conseqüência, a OEA concluiu:
A equipe de auditoria não pode validar os resultados da presente eleição e recomenda outro processo eleitoral. O processo futuro deve contar com novas autoridades eleitorais para poder realizar eleições confiáveis.

Reivindicação 3: Este não é um golpe, mas uma restauração da democracia

Quando os resultados desta auditoria foram divulgados, Evo Morales concordou imediatamente com uma nova eleição com uma nova comissão eleitoral. Apesar disso, os líderes da oposição Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho exigiram a renúncia de Evo e o impedimento de sua participação nas novas eleições. https://www.theguardian.com/world/2019/nov/10/evo-morales-concedes-to-new-elections-after-serious-irregularities-found
Essa é uma demanda ... interessante: como a auditoria da OEA não encontrou evidências de manipulação por parte do governo Morales ou de seu conselho eleitoral, eles apenas encontraram falhas que poderiam ter sido manipuladas e sua recomendação era que o governo investigasse essas falhas e determinasse a responsabilidade. Exigir uma renúncia do Presidente parece uma postura bastante rígida nesse cenário.
Horas após esse anúncio, vários generais realizaram uma conferência de imprensa na qual pediram a Morales que renunciasse à presidência. Evo cedeu às suas demandas logo depois, concordando em renunciar como presidente para "garantir a paz social".
https://elpais.com/internacional/2019/11/10/actualidad/1573386514_263233.html
Autoridades policiais e militares começaram a prender funcionários da Suprema Corte, funcionários do Tribunal Eleitoral e políticos do partido MAS depois que Evo renunciou.
https://www.notimerica.com/politica/noticia-bolivia-detenidos-25-miembros-tribunales-electorales-irregularidades-comicios-presidenciales-20191111172213.html
Houve um colapso civil, com apoiadores de ambas as partes atacando casas e prédios do governo. A casa de Evo Morales foi arrombada e saqueada. A embaixada da Venezuela na Bolívia também foi demitida.
https://www.clarin.com/mundo/atacaron-casa-evo-morales-cochabamba-saqueos-varias-ciudades-bolivia_0_6zbi-rOV.html
Os líderes da oposição entraram no palácio do governo ainda no domingo, incluindo Luis Fernando Camacho. A Wiphala (bandeira indígena que se tornou a bandeira secundária da Bolívia) foi derrubada. Um dos participantes (um pastor) colocou uma Bíblia na bandeira boliviana e disse: “A Bíblia voltou ao palácio. O Pachamama nunca mais voltará. ”O Pachamama é uma deusa importante do povo indígena da Bolívia.
https://www.jornada.com.mx/ultimas/mundo/2019/11/11/nunca-mas-volvera-la-pachamama-al-palacio-de-gobierno-en-bolivia-3923.html
O próprio Camacho é um ex-membro da União da Juventude de Santa Cruz, que, de acordo com Max Blumenthal, é uma organização nacionalista de direita explicitamente envolvida em violências anti-Morales e anti-indígenas.
https://thegrayzone.com/2019/11/11/bolivia-coup-fascist-foreign-support-fernando-camacho/
Os militares e a polícia já declararam que iniciarão operações para restaurar a ordem na cidade de El Alto. El Alto tem sido historicamente um local de protesto indígena e é uma área que apoia Evo Morales.
https://www.france24.com/es/20191112-bolivia-choques-policia-evo-mortales
Quase todos os políticos na linha de sucessão imediata deixaram o cargo ou foram presos após a remoção de Morales. Isso inclui Alvaro Garcia, ex-vice-presidente, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra (ambos membros do MAS). Jeanine Añez, líder da oposição no Senado, reivindicou o papel de presidente interina. Em outras palavras, o líder do partido minoritário na câmara alta assumiu o controle do poder executivo, apesar de o mandato de Morales das eleições de 2014 o ter mantido no cargo até janeiro do próximo ano, quando o próximo presidente seria ser inaugurado.
https://www.elpais.com.uy/mundo/renuncia-evo-morales-quedara-cargo-bolivia.html
Morales procurou asilo no México e chegou lá hoje. Jeanine Añez disse que o único objetivo de seu governo de transição é promover novas eleições, mas ainda não foi definida uma data. As duas casas do Congresso ainda precisam confirmar sua presidência.
https://www.bbc.com/news/world-latin-america-50383608
No que diz respeito a um golpe, não importa realmente se a auditoria da OEA é precisa na avaliação da fraude eleitoral.
Evo Morales concordou imediatamente em atender ao pedido e só se demitiu depois que os militares o pediram. Definitivamente, isso é um golpe de estado e é altamente incomum que não esteja sendo relatado como tal, especialmente porque atualmente não há presidente em exercício, mas os militares já começaram ações de execução unilateralmente em El Alto.

Bônus: Esta é obviamente uma operação apoiada pelos EUA, certo?

A análise histórica básica leva a suspeitar do envolvimento dos EUA de uma forma ou de outra, mas é importante poder apoiar essas alegações com evidências.
Recentemente, uma série de gravações de áudio vazadas parece ter fornecido as primeiras evidências claras de envolvimento externo na Bolívia. 16 gravações de áudio sugerem que figuras do governo americano, colombiano e brasileiro falaram e apoiaram líderes da oposição boliviana em seu objetivo de remover Morales do poder. Os senadores norte-americanos Marco Rubio, Bob Menendez e Ted Cruz são todos mencionados pelo nome. Os planos descritos nas gravações de áudio vazadas incluem a queima de casas de políticos e o ataque à embaixada cubana.
https://elperiodicocr.com/bolivia-filtran-audios-de-lideres-opositores-llamando-a-un-golpe-de-estado-contra-evo-morales/
Marco Rubio já havia twittado expressando preocupação com as eleições bolivianas logo após as eleições, antes que a OEA emitisse sua declaração de preocupação com as eleições. Rubio escreveu seu tweet às 10h12, enquanto o relatório da OEA era publicado por volta das 21h.
https://twitter.com/marcorubio/status/1186284033178767361 https://twitter.com/OAS_official/status/1186456799089692673
Donald Trump aplaudiu o exército boliviano por remover Evo Morales, chamando sua renúncia de "vitória para a democracia". https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-president-donald-j-trump-regarding-resignation-bolivian-president-evo-morales/
O Grayzone informou sobre ligações entre membros da oposição boliviana e agentes de mudança do regime de inteligência dos EUA. O fundador da Rios de Pie, uma organização supostamente ambientalista, tem vários vínculos circunstanciais com a CANVAS, um grupo vinculado à CIA que esteve envolvido em várias operações de mudança de regime. Não é uma prova concreta de nada, mas é suspeita. https://thegrayzone.com/2019/08/29/western-regime-change-operatives-launch-campaign-to-blame-bolivias-evo-morales-for-the-amazon-fires/
Edit: Yuri Calderón (o general que exigiu a renúncia de Morales) trabalhou como adido militar em DC em 2013, e com a APALA (Polícia Agregada da América Latina), com sede em DC.
https://twitter.com/jebsprague/status/1193986589749211136?s=21
Não posso dizer com absoluta certeza que os EUA estiveram envolvidos nesse golpe, mas as considerações históricas e as evidências circunstanciais correspondem a um padrão de operações anteriores de mudança de regime apoiadas pelos EUA em um grau significativo.
Independentemente da sua opinião sobre Evo Morales e se a eleição é questionável, há boas razões para se preocupar com a situação na Bolívia, especialmente para as populações indígenas que historicamente enfrentam violência e opressão racistas. Já vimos atos destrutivos contra símbolos indígenas e os vínculos entre os golpistas e grupos de extrema-direita são significativos.ência, a OEA concluiu:
A equipe de auditoria não pode validar os resultados da presente eleição e recomenda outro processo eleitoral. O processo futuro deve contar com novas autoridades eleitorais para poder realizar eleições confiáveis.
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2019.10.29 09:54 Alexandresk Hora da teoria da conspiração.

As vezes teoria da conspiração estão certas, principalmente quando se fala de ditaduras comunistas. A principio isso é uma discussão, não venha encher o saco. A própria esquerda que fala q o Moro é um agente da Cia, e o bolso fingiu ser furado por uma faca de açougue, etc. Vamos lá.
Março 2019 - Países sul-americanos criam bloco para pressionar Venezuela https://www1.folha.uol.com.bmundo/2019/03/paises-sul-americanos-criam-bloco-para-pressionar-venezuela.shtml
Abril 2019 - Entram em vigor sanções americanas contra o petróleo venezuelano https://www1.folha.uol.com.bmundo/2019/04/entram-em-vigor-sancoes-americanas-contra-o-petroleo-venezuelano.shtml
Julho 2019 - Número de refugiados e migrantes da Venezuela chega a 4 milhões http://agenciabrasil.ebc.com.binternacional/noticia/2019-06/numero-de-refugiados-e-migrantes-da-venezuela-chega-4-milhoes
Agosto 2019 - EUA impõem sanções econômicas totais contra o governo da Venezuela https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/08/05/eua-impoem-sancoes-economicas-totais-contra-o-governo-da-venezuela.ghtml

Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, Peru e Equador foram contra a Venezuela, aplicando sanções com ajuda dos EUA.
Alguns meses depois:
"Os países latino-americanos recebem a grande maioria dos venezuelanos: Colômbia (1,3 milhão), o Peru (768 mil), Chile (288 mil), Equador (263 mil), Brasil (168 mil) e Argentina (130 mil). O México e os países da América Central e do Caribe também recebem um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela. "
Isso faz ser extremamente fácil pro Maduro infiltrar militares como refugiados.
Chile: Varias estações em chamas, prédios em fogo, caos total. - ( 300 mil venezuelanos ) Varias fontes colocando atentados no metro orquestrados com participação de venezuelanos. https://oglobo.globo.com/mundo/secretario-geral-da-oea-ve-papel-de-venezuela-cuba-em-disturbios-na-america-latina-24042620 - https://www.oantagonista.com/mundo/cubanos-e-venezuelanos-por-tras-de-ataques-no-chile/
Peru: Muitos protestos e violência. ( 768 mil venezuelanos ), governo tb culpa venezuelanos infiltrados.
Equador: Protestos, inclusive presidente culpa ações de venezuelanos. ( 260 mil venezuelanos )
Argentina: NADA, mas tinha eleições e dado como certo vitória da esquerda.
Colômbia NADA: É o pais com mais venezuelanos MAS o exercito esta estado de alerta máximo, e se prepara para possível GUERRA com a Venezuela. https://exame.abril.com.bmundo/colombia-entra-em-alerta-maximo-para-exercicios-militares-da-venezuela/
Uruguai: NADA, mas o governo apoiou o Maduro
Bolívia: Apoiou o Maduro e vários protestos por ter roubado a eleição novamente, entrando no 4 mandato.
Brasil: Óleo derramado com POSSÍVEL origem venezuelana na costa. Justamente quando as reservas de óleo venezuelanas estão no limite, ja que não estão conseguindo vender. Estão estocando até em cuba. https://www.miamiherald.com/news/nation-world/world/americas/venezuela/article235808947.html
Nenhum protesto por enquanto no Brasil, mas é bom lembrar que como falamos português seria muito fácil localizar os venezuelanos, coisa bem mais difícil nos outros países de língua espanhola.
Minha possível conclusão:
Existe uma estratégia usado pelo Irã, que é de fazer guerras civis em países pra os EUA ficarem ocupados resolvendo esses problemas e deixar os problemas do irã pra depois. Isso aconteceu na Síria, no Yemen, no Afeganistão etc.
A Venezuela esperando uma possível invasão americana quer fazer caos politico na America latina para gerar uma cortina de fumaça fazendo os EUA se focarem ( com a ajuda da imprensa americana esquerdista, tinha até a DW alemã defendendo a Venezuela umas semanas atras ) em outros problemas da região, assim dando tempo pra Venezuela até que o Trump saia do poder ( eu acho certo que ele perde a eleição ) e tenha as sanções retiradas.
Esse plano de gerar outros conflitos na A.L foi utilizado também com maestria por Fidel em Cuba e assim conseguindo se manter no poder até hoje. ( 50 anos ). Provocar revoltas em seus inimigos é uma tática tão antiga que tem até no Arte da Guerra de Sun Tzu de 2500 anos atrás.
Não só é possível como seria o melhor plano possível do Maduro para se manter no poder. Claro que com a esquerda ajudando bastante e usando o povo insatisfeito que sempre existe, fica mais fácil. É uma tática barata, simples, e praticamente impossível de se ter prova que foi orquestrado pela Venezuela ja que os militares infiltrados estão como "refugiados" e com documentos falsos impressos pelo próprio governo Venezuelano.
Como disse é só a teoria.
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2019.01.23 20:00 etniacaduca Estamos vivendo a Primavera dos Povos Latino-Americanos

Estamos vivendo a Primavera dos Povos Latino-Americanos submitted by etniacaduca to brasilivre [link] [comments]


2018.11.10 04:24 tapstapito Um BR interessado em aprender sobre a história de Portugal

olá tugas,
como já disse no título sou BR e uma de minhas paixões é o estudo da história dos diferentes povos.
já estudei a história de alguns países latino americanos e dos Estados Unidos e Canadá, sem contar obviamente a do Brasil que aprendi ainda na escola.
o próximo país que eu queria conhecer a história é Portugal, e para isso venho pedir indicações de livros e ou sites que contem a história de Portugal.
priorizo livros, não tenho preguiça de ler 500 páginas sobre os reis portugueses. o conteúdo da internet costuma ser demasiado resumido.
agradeço imensamente aos que puderem ajudar
obs1: como rola a história de que o Brasil foi descoberto por Portugal e foi uma colônia por alguns séculos, eu não entraria completamente virgem na história de Portugal, já estudei as reformas do marquês de pombal, os problemas causados por Napoleão Bonaparte, a União Ibérica (AKA a segunda idade média da história portuguesa), mas apenas por que todos esses eventos foram decisivos na história do Brasil. Contudo, há buracos imensos no meu conhecimento: sei praticamente nada sobre a formação do estado português e as guerras de reconquista, sei menos ainda sobre o que havia em Portugal antes da idade média, e todo meu conhecimento para em 1822 com a independência do Brasil. sei que hoje Portugal é uma república, sei que antes havia reis, mas não sei sobre como nem quando houve essa transição, não sei sobre a industrialização portuguesa, e menos ainda sobre a ditadura (foi ditadura mesmo?) de Salazar.
obs2: não é para trabalho escolar, já sou advogado formado e com início de calvice
enfim, agradeço aos que puderem indicar fontes boas de estudo :)
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2018.10.24 02:52 MoonGosling Na paz e sem downvotes: Vou votar em Haddad, mude meu voto

Queria fazer aqui algo parecido com o que rola no changemyview, que eu acho fantástico. Acredito que todos nós acabamos ficando presos em bolhas, e por isso venho há um tempo seguindo o brasilivre apesar de discordar da grande maioria dos posts e comentários que vejo aqui, e ser constantemente downvotado quando participo das conversas. Nesse espírito, queria propor um CMV de tempos de eleição e de véspera do segundo turno, com civilidade e debate, que é o que eu espero dos cidadãos do Reddit. Parece legal? Então deixa eu falar um pouco sobre o porque de eu votar em Haddad:
Começo dando o disclaimer que considero muito importante nesse período: Eu não sou petista e não queria esse segundo turno com Haddad. Quando faço aquele teste que lhe coloca nos eixos políticos sempre acabo ligeiramente a esquerda (muito mais próximo ao centro) e fortemente no lado liberal. Eu não tenho sentimentos negativos muito fortes em relação ao PT, mas eu acredito que a política precisa de mudança, e novas coisas precisam ser testadas de tempos em tempos para que possamos avançar em diferentes frontes. Também reconheço o sentimento de antipetismo, independente de ser ou não justo ou merecido, é um impedimento de um governo do PT, e tendo Haddad na presidência o povo provavelmente só se polarizará mais, o que é negativo para a democracia.

Mas, apesar de querer uma mudança no governo, e de não ter votado em Haddad no primeiro turno, agora eu voto nele. Primeiramente porque eu considero Bolsonaro uma ameaça à democracia, devido aos seus discursos que vem de longa data, desde quando ele disse que daria um golpe no primeiro dia, e que através do voto não se mudaria nada nesse país, até quando mais recentemente ele disse que poria um ponto final a toda forma de ativismo. Tem também o mais recente evento de seu filho dizendo que brincam que caso houvesse tentativa de impugnação da candidatura do pai, basta um soldado e um cabo para fechar o STF, e sua proposta de aumentar o número de ministros do supremo, que é uma medida tomada por autocratas, inclusive na nossa própria ditadura militar. A essas preocupações de interpretação se somam as preocupações de Steven Levitsky, cientista político de Harvard que estuda as democracias latino-americanas, e Monica de Bolle, diretora de estudos latino-americanos na universidade de Johns Hopkins, que dizem que Bolsonaro é o único dos candidatos que tivemos nessa corrida eleitoral com claras tendências autocráticas, e que o viés militarístico de Bolsonaro é o que mais se assemelha a, e nos leva na direção de, um governo chavista.
Mas e a anti-democracia petista?
De todas as críticas que o PT pode receber, ser antidemocrático não é uma delas. Foram 13 anos de governo petista sem que a democracia fosse violada. Muito pelo contrário, depois de um sindicalista e uma guerrilheira nós tivemos apenas movimentos que nos levaram para mais perto da democracia, com fortalecimento de órgãos como o MPF. Agora que seria eleito um economista (cientista político e filósofo) e professor que apresentou críticas aos raciocínios marxistas, e que já havia se posicionado, antes de ter a corrida presidencial em mente, dizendo que a Venezuela não pode ser considerada uma democracia. Se o PT tivesse, de fato, um viés antidemocrático seria impensável que ocorresse o que ocorreu durante sua gestão: o impeachment de Dilma e a prisão do ex-presidente Lula, principal figura do partido. Seria impensável mesmo sair as ruas com boneco inflável de Lula em roupas de prisioneiro, ou até ler livros com ideologias contrárias a petista, como acontecia durante a ditadura militar. O fato que tanto Dilma, quanto Lula, quanto o PT aceitaram, com suas devidas reclamações, os destinos democráticos que lhes foram dados é prova de que eles são, sim, democratas. A narrativa do golpe, por mais que eu acredite ser exagerada (como diz Steven Levitsky, eu acredito que o que houve não foi um golpe, mas sim um abuso constitucional), é uma narrativa que não passa disso: exagerada. Mas é válida, e, portanto, é justa e democrática. Antidemocrático teria sido se a força precisasse ter sido utilizada para efetuar a prisão do ex-presidente, ou se Dilma tivesse tentado alguma forma de contra-golpe para se manter no poder. Nenhum dos dois aconteceu, Haddad sequer promete dar induto a Lula, dizendo que acredita na inocência dele, e que isso será provado nas cortes.
Além de antidemocrático, Bolsonaro é uma afronta a tudo que eu acredito enquanto ser humano, sem sequer olhar para política. Ele tem diversos discursos incitando o ódio, como o mais recente e fan-favorite "vamos fuzilar a petralhada". Ele disse que a filha mulher foi uma fraquejada, que quando o filho começa a ficar "gayzinho" leva um "coro" e muda o comportamento, que não estuprava uma colega porque ela "não merece" (depois justificou dizendo que queria apenas chama-la de feia). Ele disse que "de homossexual [...] ninguém gosta, a gente suporta", que é homofóbico com orgulho, e que não ia "combater", mas que se visse dois homens na rua se beijando ia bater. A homofobia é um ponto tão forte nele que ele participou de dois documentários sobre o assunto, o de Stephen Fry, e o de Ellen Page.

Mas ele está apenas defendendo as criancinhas da ditadura gayzista do Kit Gay
Essa ditadura não existe. O "kit gay" também não. De fato, se a ditadura gayzista existisse eu seria um dos primeiros a saber, tendo vários amigos gays que nunca fizeram qualquer menção a querer que as outras pessoas fossem gays (exceto, talvez, quando eles olham para alguém que acham atraente. Tipo quando eu ou você olhamos para uma pessoa do outro sexo e achamos atraente e pensamos "nossa, como eu queria que essa pessoa fosse atraída por mim também"). Eu, sinceramente, não consigo entender a afirmação de que restaurante não é lugar para dois homens se beijarem, porque tem criança vendo. Qual a diferença entre ver dois homens se beijando e ver um homem e uma mulher se beijando? Sou da opinião do viva e deixe viver, e de gostar das pessoas por pressuposto, e desgostar caso aconteça algo que justifique isso (o motivo pelo qual acho tão intragável a afirmação de que "ninguém gosta de homossexual")

Esses discursos de ódio e inflamatórios já estão mostrando seus efeitos, com a grande quantidade de crimes de ódio perpetuados por apoiadores de Bolsonaro. Mas mesmo que não tivesse efeitos tão diretos, o ódio e o preconceito é uma das poucas coisas que eu acredito que não deve ser representada, para não legitimizar aqueles que compartilham desse ódio.

Quanto a corrupção, acredito que é um ponto de extrema importância, e tenho minhas ressalvas em relação a Haddad devido as diversos processos lançados contra ele. Não conheço bem as provas, porém, e sei que ele não foi condenado em nenhum desses processos, tendo sido inocentado já em dois (aqui um deles). Mas mesmo que Haddad seja corrupto (e dizer uma frase dessas me dói, "mesmo que ele seja corrupto"), Bolsonaro é, no mínimo, tão corrupto quanto. Ele se apresenta como o cara que vai limpar o Brasil da corrupção (uma estratégia de campanha que vem aí desde a república velha), mas passou sua vida toda de político no PP, o partido com mais envolvidos na Lava Jato (são 31 do PP contra 6 do PT). Ele também admitiu ter recebido propina e "rejeitado", devolvendo ao partido que depois deu o mesmo valor à ele, e depois justificou o fato de saber que o partido havia recebido propina dizendo que todo partido recebe. Esse último ponto é importante, porque eu sou incapaz de acreditar que uma pessoa que se justificou dizendo que "mas todo mundo tá fazendo" seja capaz de resolver a coisa que estão todos fazendo. Mais pra perto da eleição ele decidiu mudar de partido, escolhendo o PSL, que é um de apenas dois partidos brasileiros com nota 0 em transparência. Isso também torna muito difícil para mim acreditar que ele levará uma gestão transparente. Isso sem mencionar outros casos recentes, como a funcionária fantasma, a omissão de R$2.6mi em bens.

Além disso tudo, as pautas de Bolsonaro são extremamente fracas. Eu fui ler o plano de governo dele e além de mal-formatado (o que já gerou piadas o suficiente) ele passa muito mais tempo apontando falhas e dedos do que fazendo propostas de solução. Acho que em qualquer dado tópico tem uma razão de 3:1 de texto de reclamação e crítica para texto de solução. Isso se traduz em propostas que não são explicadas (como sua proposta de reduzir ministérios, sem dizer quais). Em outros pontos que ele vai mais a fundo (e mesmo o mais a fundo é bem pouco a fundo), eu sou totalmente contrário, como armar a população. Apesar de ver, entender, e valorizar o discurso das liberdades individuais, eu acho que o armamento da população é uma medida perigosa, e que quase toda literatura científica mostra como não sendo uma solução à segurança como ele propõe. Além disso, ele vai contra outras liberdades pessoais que eu acredito que tem precedência maior por serem, realmente, "mais pessoais", como a descriminalização e legalização das drogas, que era um dos pontos do plano de governo de Haddad, e que tem diversos resultados positivos, como em Portugal, que viu um aumento no número de pessoas se tratando por dependência, e a legalização no Colorado permitiu que os impostos sobre a maconha fossem usados para "o bem".

Bolsonaro propõe algo que, em minha opinião, é um ataque a educação no nosso país. O discurso de que há uma doutrinação na educação hoje é, em minha opinião de aluno de um colégio federal que teve muitos professores grevistas e fortemente de esquerda, ridícula. Inclusive, se esse fosse o caso ele não estaria ganhando entre o público mais educado que, justamente, teria passado por essa doutrinação marxista/esquerdista. Mais uma vez dando exemplo da minha escola, eu vi professores essas eleições ocupando quase todo o espectro político, de professor que votou em Boulos, até professor que votou em Amoedo. Eu acredito que o que há na educação não é uma doutrinação, e sim a simples extinção de algumas formas de pensar, que morrem quando estamos em um ambiente de intelectualidade e de compartilhamento de opiniões em que todos são iguais. Por exemplo: Acho muito improvável que você encontre um intercambista que seja xenofóbico, e, de fato, o intercâmbio é usado por algumas organizações pelo mundo justamente para combater esse tipo de pensamento. Isso não acontece porque o intercâmbio é, por natureza, doutrinador, mas sim porque quando você vive a experiência de outra pessoa em outro país, de outra cultura, quando você se torna minoria, aí você começa a ver de maneira diferente as outras culturas, e as minorias em seu próprio país. Eu acho que o mesmo pode ser dito de algumas ideologias, como o conservadorismo, em relação a educação.

Por fim, e de maneira geral em relação ao ponto de propostas, eu acredito que votar no Bolsonaro é assinar um grande cheque em branco, o que pode ser OK se você de fato olha para Bolsonaro e se sente completamente representado por ele, mas acho que não é uma opção interessante para o país como um todo.

Outros pontos comuns de debate:
Haddad foi o pior prefeito da história de São Paulo
E ainda assim ganhou prêmio da Bloomberg Philanthropies, e também da ONU, e foi considerado "visionário" pelo Wall Street Journal. Com ele S.P. teve uma série de avanços, inclusive a recuperação de mais de R$270mi desviados.

Haddad está sendo poste de Lula
De fato, também não gosto disso, mas pelos motivos que coloquei acima, ainda prefiro votar em um poste do que no Bolsonaro
Bom, gostaria agora de me colocar aberto ao debate. Acho que seria realmente interessante se vocês puderem desafiar os pontos que coloquei aqui, e trazer coisas que eu talvez esteja perdendo. Abraço.
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2018.10.01 20:02 FernedKafka Por que eu tenho uma impressão de que o castelhano é um idioma "meio tóxico"?

Assim, eu não consegui encontrar uma definição certa pra isso, mas eu sempre achei o castelhano isto é, o espanhol falando na américa um idioma meio tóxico, toda vez que ouço algum latino-americano falando em espanhol eu tenho a impressão de que ele fala um monte de palavrão ou é meio agressivo. Por exemplo no CS GO toda vez que encontro algum latino eles sempre são caras que só sabem xingar os outros por qualquer coisa "hijo de mierda" "hijo de puta" "la concha de tu madre" são as palavras que eu mais escuto. É claro que usar um joguinho como argumentação é algo bobo, mas sei lá sempre tive essa certeza de que o povo latino é mal educado ou sei lá. Não sei se eu to viajando nessas constatações, se eu estiver apenas me ignorem.
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2018.09.02 23:39 AoShin_Eris A Primeira Guerra Mundial

Antecedentes do conflito


Houveram diversos antecedentes que desencadearam "A Grande Guerra", como era chamada dentre eles, destacarei os mais relevantes.

  1. Começando pela guerra Guerra Franco-Prussiana, Prússia essa que era um reino Germânico, este conflito teve início em 1870 até 1871 os motivos foram: rivalidade desde as Guerras Napoleônicas, oposição da França ao processo de unificação da Alemanha e a oposição França na subida de um príncipe alemão ao trono da Espanha.
  2. O desencadeamento foi a vitória Prússiana que impôs o Tratado de Frankfurt. Este tratado definiu a fronteira entre França e Alemanha um adendo para a formação do Império Alemão, sendo que os franceses perderam grande parte do território da Alsácia-Lorena. Os franceses tiveram que pagar uma elevada indenização de guerra aos alemães como ocorreu no Tradado de Versalhes. Os franceses tiveram também que aceitar a presença de tropas alemãs em seu território até o pagamento da indenização. Todas essa humilhação Francesa criou um sentimento de ódio e vingança. Dados: Lado francês cerca de 920 mil homens, lado Prussiano cerca de 1,2 milhão de homens. Baixas Império Francês cerca de 138 mil combatentes, Reino da Prússia cerca de 28 mil combatentes.
  3. As poucas colônias do Império Alemão causados pela sua unificação tardia, nesta época em que colônias representavam o motor do imperialismo. O império Alemão tinha um forte poder industrial, chegando ao ponto de ultrapassar o poderio britânico na produção de aço, o que causou um atrito entre os impérios
  4. A criação da Tríplice Aliança composta entre o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Reino da Itália. Com o intuito de conseguirem mais poder político e militar. Em contra partida, houve a Criação da Tríplice Entende entre o Reino Unido, a França e o Império Russo. Que tinha o intuito de combater a Tríplice Aliança.

Estopim


Fases da guerra


A situação precária nas trincheiras

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2017.11.15 16:51 Cachorro_safado Lista de presentes que brasileiro NÃO deve levar pro exterior (com alternativas)

Eu moro no Canadá e toda vez que vem parente do Brasil eles sempre acham que o presente que trouxeram vai fazer o maior sucesso. Quase sempre a gente joga fora depois que a visita se foi. Pra evitar esse constrangimento escrevi esta lista do que você não deve levar, com algumas possíveis opções.
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2017.06.10 15:44 feedreddit O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA

O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA
by Naomi Klein via The Intercept
URL: http://ift.tt/2rM3USm
Durante a campanha presidencial, algumas pessoas achavam que os pontos mais abertamente racistas da plataforma de Donald Trump eram apenas uma estratégia para causar irritação, não um plano de ação concreto. Porém, na primeira semana de seu mandato, quando ele vetou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, a ilusão logo foi desfeita. Felizmente, a reação foi imediata: marchas e protestos em aeroportos, greves de taxistas, manifestações de advogados e políticos locais. Por fim, o veto foi considerado ilegal pela Justiça americana.
Esse episódio mostrou a força da resistência e a coragem da Justiça; havia muito o que comemorar. Alguns chegaram a dizer que essa primeira derrota havia disciplinado Trump, que a partir de então seguiria uma rota mais convencional e racional.
Outra perigosa ilusão.
É verdade que muitos dos itens mais radicais da agenda do governo ainda não foram realizados. Mas não se enganem; ele não abandonou seus projetos. Eles estão bem guardados, à espreita, e uma grande crise pode trazê-los à tona.
Grandes choques costumam ser aproveitados para nos empurrar goela abaixo medidas impopulares e antidemocráticas a favor dos grandes empresários que jamais seriam aprovadas em tempos de estabilidade. É a “Doutrina do Choque”, nome que utilizei para descrever esse fenômeno. Ela foi utilizada repetidamente nas últimas décadas, seja por ditadores como Augusto Pinochet ou por presidentes americanos, como no caso do furacão Katrina.
Vimos a Doutrina do Choque em ação recentemente, antes da eleição de Trump, em cidades americanas como Detroit e Flint, onde a falência financeira do município foi usada como pretexto para dissolver a democracia local e nomear “gestores emergenciais”, que declararam guerra aos serviços e educação públicos. O mesmo está acontecendo em Porto Rico, onde a crise da dívida foi a desculpa utilizada para a criação do Conselho de Gestão e Supervisão Financeira, uma entidade que, sem precisar prestar contas a ninguém, tem o poder de implementar medidas de austeridade como cortes previdenciários e fechamento de escolas. A mesma tática está sendo usada no Brasil, onde, após o bastante questionável impeachment da presidente Dilma Rousseff, instalou-se um regime ilegítimo e ferventemente pró-empresariado. Entre as medidas adotadas estão o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e o leilão de aeroportos, usinas de energia e outros ativos públicos, em um verdadeiro frenesi privatizante.
Como escreveu Milton Friedman, muitos anos atrás, “apenas uma crise – real ou presumida – produz mudanças. Quando uma crise ocorre, as medidas adotadas dependem das ideias presentes na paisagem política. Esta é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantendo-as ao alcance da mão até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”. Certos alarmistas estocam comida enlatada e água para o caso de um grande desastre natural; outros estocam ideias espetacularmente antidemocráticas.
Agora, como muitos já perceberam, a história está se repetindo com Donald Trump. Durante a campanha, ele não disse a seus admiradores que iria cortar verbas de programas de fornecimento de alimentos a pessoas necessitadas. Ele também nunca admitiu que iria tentar tirar o plano de saúde de milhões de americanos ou adotar cada uma das medidas sugeridas pelo grupo Goldman Sachs. Não, ele disse o contrário de tudo isso.
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump não fez o menor esforço para dissipar a atmosfera de caos e crise. Algumas turbulências, como o dossiê russo, surgiram contra a sua vontade ou por pura incompetência, mas muitas delas parecem ter sido deliberadamente fabricadas. Em todo caso, enquanto estamos distraídos pelo espetáculo Trump, ávidos por notícias sobre suas supostas crises conjugais ou globos luminosos, seu projeto de concentração de renda segue em frente, metódico e silencioso.
A velocidade das mudanças também contribui para isso. Com o tsunami de decretos presidenciais assinados nos 100 primeiros dias do governo de Trump, logo ficou claro que seus assessores estavam seguindo o conselho dado por Maquiavel em O Príncipe: “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, de forma que, sendo menos saboreadas, causem menos ofensa”. A lógica é simples: é mais fácil resistir a mudanças graduais e contínuas; se as transformações acontecem de uma só vez, a população não consegue se organizar para lidar com todas ao mesmo tempo, acabando por engolir o sapo.
Mas tudo isso não passa de uma versão light da Doutrina do Choque; é o máximo que Trump pode fazer com as pequenas crises que ele mesmo cria. Embora seja necessário denunciar e resistir ao que está sendo feito agora, também deveríamos nos preocupar com o que Trump fará quando puder se aproveitar de uma verdadeira crise. Talvez seja um _crash_econômico, como a crise das hipotecas _subprime_de 2008; ou uma catástrofe natural, como a Supertempestade Sandy; ou então um terrível ataque terrorista, como o atentado a bomba de Manchester. Qualquer uma dessas crises poderia alterar radicalmente a conjuntura política, transformando subitamente o que hoje parece improvável em algo inevitável.
Vamos analisar alguns cenários de choques possíveis, e como eles poderiam ser utilizados para tornar realidade a nociva agenda de Donald Trump.
Policiais se juntam ao público em St Ann’s Square, em Manchester, para observar as flores e mensagens em homenagem às vítimas do atentado de 22 de maio na Manchester Arena. (31 de maio de 2017)
Foto: Oli Scarff/AFP/Getty Images

Choque terrorista

Os recentes atentados em Londres, Manchester e Paris nos dão um indício de como o governo Trump tentaria explorar um grande ataque terrorista contra os EUA em seu próprio território ou no exterior. Depois do terrível atentado a bomba de Manchester, no mês passado, o governo conservador inglês lançou uma campanha feroz contra o Partido Trabalhista e Jeremy Corbyn, por este ter sugerido que o fracasso da “Guerra ao Terror” estaria alimentando o terrorismo. As declarações de Corbyn foram qualificadas de “monstruosas” – uma atitude muito parecida com a retórica “ou vocês estão conosco, ou com os terroristas” usada por George W. Bush após o ataque de 11 de Setembro de 2001. Para Donald Trump, o atentado foi consequência das “milhares e milhares de pessoas que estão entrando em vários países”, embora o terrorista – Salman Abedi – tenha nascido no Reino Unido.
Da mesma forma, logo após o atentado de Westminster, em março 2017, quando um motorista jogou um carro contra uma multidão de pedestres, matando quatro e deixando dezenas de feridos, o governo conservador logo declarou que a privacidade das comunicações digitais era uma ameaça à segurança nacional. A ministra do Interior, Amber Rudd, disse em um programa da BBC que a criptografia de programas como o Whatsapp era “totalmente inaceitável”. Ela afirmou estar negociando a “colaboração” das grandes empresas de tecnologia, para que elas forneçam ao governo um acesso especial a essas plataformas. Depois do atentado da London Bridge, ela voltou a atacar a privacidade na internet de forma ainda mais veemente.
De maneira ainda mais preocupante, depois dos atentados de Paris, em 2015 – que deixaram 130 mortos –, o governo de François Hollande declarou o estado de emergência na França, proibindo manifestações políticas. Estive na França uma semana depois daqueles horríveis acontecimentos e não pude deixar de estranhar o fato de que, embora os ataques tenham sido perpetrados contra os símbolos da vida parisiense cotidiana – um show, um estádio de futebol, restaurantes etc. –, apenas a atividade política nas ruas havia sido proibida. Grandes shows, mercados natalinos e eventos esportivos – alvos perfeitos para futuros atentados – continuaram funcionando normalmente. Nos meses seguintes, o estado de emergência foi repetidamente prolongado. Ele ainda está em vigor e deve durar pelo menos até julho de 2017. Na França, o estado de exceção virou a regra.
Isso foi feito por um governo de centro-esquerda em um país com uma longa tradição de greves e manifestações. Só uma pessoa ingênua acreditaria que Donald Trump e Mike Pence não aproveitariam um ataque terrorista nos EUA para ir ainda mais longe. A reação seria imediata, declarando manifestantes e grevistas que bloqueassem rodovias e aeroportos – os mesmos que reagiram ao veto à entrada de muçulmanos – uma ameaça à “segurança nacional”. Os líderes dos protestos seriam alvo de rigorosa vigilância e jogados na prisão.
Temos que nos preparar para o uso de crises de segurança como pretexto para intensificar a criminalização de grupos e comunidades que já estão na mira do governo: imigrantes latinos, muçulmanos, líderes do movimento Black Lives Matter, ativistas ambientais e jornalistas investigativos. Essa é uma possibilidade concreta. Em nome da luta contra o terrorismo, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, poderia finalmente acabar com a supervisão federal das policias estaduais e municipais, favorecendo a impunidade nos casos de abuso policial contra negros e outras minorias.
E não há nenhuma dúvida de que o presidente se aproveitaria de um atentado terrorista para atacar o Judiciário. Ele deixou isso bem claro ao escrever em sua conta no Twitter, após a suspensão judicial do veto migratório: “Como um juiz pode colocar nosso país em risco? Se algo acontecer, a culpa será dele e do sistema judicial”. Na noite do atentado da London Bridge, no dia 3 de junho, ele foi ainda mais longe: “O Judiciário tem que nos devolver os nossos direitos. Precisamos do veto de entrada como uma segurança extra!” No contexto de histeria coletiva e revolta que se instalaria depois de um ataque terrorista em solo americano, talvez os juízes não tenham a mesma coragem para barrar uma nova proibição à entrada de muçulmanos nos EUA.
Nesta foto tirada em 7 de abril de 2017 pela marinha americana, no Mar Mediterrâneo, o contratorpedeiro USS Porter (DDG 78) lança um míssil Tomahawk contra uma base aérea síria. O bombardeio foi uma retaliação a um terrível ataque com armas químicas realizado naquela mesma semana.
Foto: Mass Communication Specialist 3rd Class Ford Williams/U.S. Navy via AP

Choque bélico

A reação mais exagerada e letal de um governo a um ataque terrorista é se aproveitar do clima de medo para declarar guerra a outro(s) país(es). Não importa se o alvo não tem nenhuma relação com o atentado terrorista em questão; o Iraque não tinha nada a ver com o 11 de Setembro, mas foi invadido mesmo assim.
Os alvos mais prováveis de Trump estão no Oriente Médio, incluindo países como Síria, Iêmen, Iraque e, principalmente, Irã. Outro inimigo em potencial é a Coreia do Norte, sobre a qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que “estamos abertos a todas as opções”, se recusando a descartar a possibilidade de um ataque preventivo.
Os colaboradores mais íntimos de Trump – principalmente aqueles oriundos do setor de defesa – têm diversas razões para apoiar mais ações militares. O lançamento de mísseis contra a Síria em abril de 2017 – realizado sem a aprovação do Congresso e, portanto, ilegal, segundo alguns especialistas – rendeu-lhe a cobertura midiática mais positiva de seu mandato até então. Os assessores mais próximos do presidente aproveitaram para declarar que o ataque era uma prova de que não havia nada de indecoroso nas relações entre a Casa Branca e a Rússia.
Mas há uma outra razão, menos evidente, para usar uma crise de segurança como desculpa para entrar em guerra: essa é a maneira mais rápida e eficaz de forçar um aumento no preço do petróleo, principalmente se o conflito prejudicar o fornecimento global da commodity. Isso traria grandes vantagens para gigantes como a Exxon Mobil, cujos lucros diminuíram drasticamente com a queda do preço desse produto. Feliz coincidência para a Exxon: Rex Tillerson, antigo diretor-executivo da empresa, é o atual secretário de Estado dos EUA. Tillerson trabalhou na Exxon durante praticamente toda a sua carreira – 41 anos; ao se aposentar, ele fechou um acordo com a empresa para receber espantosos US$ 180 milhões.
Além de empresas como a Exxon, talvez o único beneficiado com um aumento do preço do petróleo advindo da instabilidade global seria a Rússia de Vladimir Putin, um país que depende da venda dessa matéria-prima e que tem atravessado uma crise econômica desde a queda dos preços no mercado internacional. A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior de petróleo – depois da Arábia Saudita. Uma alta de preços seria uma boa notícia para Putin; antes de 2014, metade das receitas do Estado russo era proveniente do setor de óleo e gás.
Porém, quando os preços desabaram, a Rússia perdeu centenas de bilhões de dólares, uma catástrofe econômica com sérias consequências para o povo russo. Segundo o Banco Mundial, em 2015, os salários reais caíram quase 10% no país; o rublo perdeu quase 40% de seu valor e o número de pobres subiu de 3 para 19 milhões. Putin tenta manter sua imagem de homem forte, mas a crise econômica o deixa vulnerável.
Também já se falou muito sobre o vultoso acordo entre a Exxon Mobil e petroleira estatal russa Rosneft para a extração de petróleo no Ártico. Putin chegou a se gabar do montante envolvido – meio trilhão de dólares. É verdade que a negociação saiu dos trilhos com as sanções americanas à Rússia; porém, apesar da postura conflitante dos dois países em relação à Síria, é possível que Trump decida suspender as sanções e abrir caminho para a concretização do negócio, o que ajudaria a Exxon a superar seu momento difícil.
No entanto, mesmo se as sanções forem retiradas, ainda haveria outra pedra no caminho do projeto: o baixo preço do petróleo. Tillerson fechou o acordo com a Rosneft em 2011, quando o preço do barril chegou a altíssimos US$ 110. Em um primeiro momento, o consórcio faria a prospecção de petróleo nas águas ao norte da Sibéria, onde a extração seria difícil e cara. Para ser viável economicamente, o petróleo do Ártico teria que vendido a cerca de US$ 100 o barril – ou até mais caro. Portanto, mesmo se as sanções forem suspensas pelo governo Trump, o projeto da Exxon e da Rosneft só valerá a pena se o preço do petróleo estiver suficientemente alto. Consequentemente, qualquer instabilidade que empurre a cotação do petróleo para cima seria do interesse de muita gente.
Se o barril de petróleo ultrapassar a marca dos US$ 80, a corrida desenfreada para encontrar, extrair e queimar combustíveis fósseis vai recomeçar, mesmo se for preciso perfurar nossas calotas polares em derretimento ou extrair petróleo altamente poluente das areias betuminosas. Se isso acontecer, podemos acabar perdendo a nossa última chance de evitar uma catástrofe climática.
Portanto, evitar um conflito internacional e deter as mudanças climáticas são duas batalhas de uma mesma guerra..
Uma tela mostra dados financeiros no dia 22 de janeiro de 2008.
Foto: Cate Gillon/Getty Images

Choque econômico

Uma das marcas do projeto econômico de Trump tem sido o frenesi de desregulamentação financeira, o que aumenta em grande medida o risco de novos choques e desastres econômicos. O presidente americano anunciou que pretende revogar a Lei Dodd-Frank, peça fundamental da reforma financeira implementada pelo governo Obama após o colapso bancário de 2008. Embora não seja rigorosa o suficiente, a lei impede que a especulação desenfreada de Wall Street crie novas bolhas, que, quando explodem, causam novos choques econômicos.
Trump e sua equipe sabem disso, mas os lucros obtidos com as bolhas são sedutores demais para que eles se importem. Além do mais, os bancos nunca foram realmente à falência, e continuam sendo “grandes demais para quebrar”. Trump sabe que, no caso de outra grande crise, teremos outro resgate das instituições financeiras, exatamente como em 2008. O presidente chegou mesmo a decretar a revisão de um mecanismo da Lei Dodd-Frank criado para evitar que o contribuinte pague a conta de um novo resgate aos bancos. Visto a quantidade de ex-executivos do Goldman Sachs no governo Trump, isso é um péssimo sinal.
Alguns membros do governo também veem a crise econômica como uma oportunidade para atacar certos programas sociais. Durante a campanha, Trump seduziu o eleitorado com a promessa de não mexer na Seguridade Social nem no Medicare, o plano de saúde público dos EUA. Mas isso pode ser impraticável devido à grande redução de impostos que vem por aí, embora o governo aplique uma matemática fictícia para argumentar que o crescimento econômico gerado compensaria as perdas. O orçamento que foi proposto já é um primeiro ataque à Seguridade Social, e uma crise econômica poderia dar a Trump um conveniente pretexto para descumprir suas promessas. Em uma conjuntura pintada como apocalipse econômico, Betsy DeVos poderia até realizar seu sonho de substituir as escolas públicas por um sistema de escolas charter e vouchers.
A camarilha de Trump tem uma longa lista de políticas que jamais seriam aprovadas em tempos de normalidade. No início do mandato, por exemplo, Mike Pence se reuniu com o governador do Wisconsin, Scott Walker, que lhe contou como havia conseguido retirar o direito à negociação coletiva dos sindicatos do setor público no estado, em 2011. E qual foi o argumento utilizado para a aprovação da medida? A crise fiscal do governo estadual, o que levou o colunista Paul Krugman, do New York Times, a declarar que “a Doutrina do Choque está sendo aplicada de forma escancarada” no Wisconsin.
Juntando as peças do quebra-cabeça, o cenário fica claro: a barbárie econômica do governo provavelmente não será realizada no primeiro ano de mandato. Ela vai se revelar mais tarde, quando, inevitavelmente, as crises orçamentária e financeira chegarem. Só então, em nome da salvação fiscal do governo – e quem sabe da economia inteira –, a Casa Branca começará a realizar os desejos mais polêmicos das grandes corporações.
Gado pastando perto de um incêndio florestal nas cercanias de Protection, Kansas. (7 de março de 2017)
Foto: Bo RadeWichita Eagle/TNS/Getty Images

Choque ambiental

Da mesma forma que as políticas de segurança nacional e econômica do governo certamente causarão e aprofundarão crises, o foco de Trump em aumentar a produção de combustíveis fósseis, desmontar a legislação ambiental dos EUA e sabotar o Acordo de Paris abre caminho para novos acidentes industriais e futuras catástrofes climáticas. O dióxido de carbono lançado na atmosfera leva cerca de 10 anos para ter um efeito sobre o aquecimento global; portanto, as piores consequências das políticas de Trump só devem ser sentidas quando ele não estiver mais no poder.
Mesmo assim, o aquecimento global já está em um nível tão alarmante que nenhum presidente pode chegar ao fim do mandato sem enfrentar grandes desastres naturais. Donald Trump mal havia completado dois meses na função quando teve que lidar com grandes incêndios florestais no centro-oeste dos EUA. A mortandade de gado foi tão grande que um pecuarista descreveu a situação como “o nosso Furacão Katrina”.
Trump não demonstrou preocupação com os incêndios; não escreveu um tuíte sequer. Porém, quando uma supertempestade atingir o litoral do país, teremos uma reação muito diferente desse presidente que conhece o valor dos imóveis à beira-mar, despreza os pobres e investe apenas em construções para os mais abastados. A grande preocupação é com a repetição do ataque às escolas públicas e à habitação social e do vale-tudo imobiliário que se seguiram ao desastre – o que não é nada improvável, visto o papel central do vice-presidente Mike Pence na elaboração das políticas pós-Katrina.
Mas os grandes beneficiados da era Trump nessa área serão, sem dúvida, as empresas de resgate particular, direcionadas à clientela mais rica. Quando eu estava escrevendo “A Doutrina do Choque”, o setor ainda estava engatinhando, e muitas empresas não sobreviveram. Uma delas era a Help Jet, sediada na cidade queridinha de Trump, West Palm Beach. Enquanto esteve em atividade, a Help Jet ofereceu serviços de resgate VIP para quem pagasse uma taxa de associação.
Quando um furacão se aproximava, a Help Jet mandava limusines para buscar seus clientes, fazia reservas em hotéis cinco-estrelas e spas em algum lugar seguro e despachava-os em jatos particulares. “Sem fila nem multidão; apenas uma experiência de primeira classe que transforma um problema em um feriado”, dizia um dos anúncios da empresa. “Aproveite a sensação de evitar o pesadelo dos planos de evacuação em caso de furacão”, sugeria outra propaganda. Em retrospectiva, parece que a Help Jet, longe de ter superestimado o potencial desse nicho, estava apenas à frente de seu tempo. Atualmente, no Vale do Silício e em Wall Street, os mais abastados e temerosos se preparam para o caos climático e social comprando vagas em abrigos subterrâneos personalizados no Kansas – protegidos por mercenários fortemente armados – e construindo refúgios nas alturas da Nova Zelândia. E, lá, só se chega de jatinho particular, é claro.
O que é realmente preocupante nesse fenômeno da “sobrevivência de luxo” – além da esquisitice da coisa toda – é que, enquanto os ricos criam seus suntuosos refúgios particulares, há cada vez menos investimentos em infraestruturas de prevenção e resposta a desastres que possam ajudar a todos independentemente da renda. E foi exatamente isso que causou tanto sofrimento desnecessário em Nova Orleans depois da passagem do Katrina.
Os EUA estão caminhando cada vez mais rápido em direção a um sistema privado de resposta a desastres. Em estados como Califórnia e Colorado, mais suscetíveis a incêndios, empresas seguradoras oferecem um serviço especial: em caso de incêndio florestal, uma equipe de bombeiros particulares é despachada para aplicar um tratamento antichamas nas mansões dos clientes, deixando as outras à mercê do fogo.
A Califórnia nos oferece uma amostra do que ainda vem por aí. O estado emprega no combate a incêndios mais de 4.500 presidiários, que recebem 1 dólar por hora para arriscar a vida na linha de frente e cerca de 2 dólares por dia no acampamento. Segundo estimativas, a Califórnia economiza bilhões de dólares por ano graças a esse programa – um produto emblemático da mistura entre austeridade, encarceramento em massa e mudança climática..
Migrantes e refugiados se aglomeram perto do local de travessia na fronteira nas proximidades do povoado grego de Idomeni, no dia 5 de março de 2016, onde milhares de pessoas esperam para entrar na Macedônia.
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images

Um mundo de zonas verdes e zonas vermelhas

Com o desenvolvimento de soluções privadas para catástrofes naturais, os setores mais abastados da sociedade têm menos motivos para pressionar o governo por mudanças na política ambiental e evitar um futuro ainda mais catastrófico para a vida na Terra. Isso pode explicar por que Trump está tão determinado a acelerar a crise climática.
Por enquanto, a discussão sobre os recuos da política ambiental de Trump gira em torno de um suposto racha no governo entre os céticos – aqueles que negam as mudanças climáticas, como o próprio Trump e o chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt – e aqueles que reconhecem o fator humano do aquecimento global, como Rex Tillerson e Ivanka Trump. Mas isso é irrelevante. O que todos os assessores de Trump têm em comum é a crença de que eles, seus filhos e seus pares estarão em segurança; que sua riqueza e contatos irão protegê-los do pior. Eles perderão alguns imóveis com vista para o mar, é verdade, mas isso não é nada que não possa ser substituído por uma bela mansão nas montanhas.
Essa despreocupação é uma tendência extremamente inquietante. Em uma era de desigualdade crescente, uma boa parte das nossas elites está se isolando física e psicologicamente do destino coletivo da humanidade. Esse isolacionismo, ainda que apenas mental, permite que os ricos não só ignorem a necessidade de proteger o meio ambiente, mas também se aproveitem dos desastres e do clima de instabilidade para lucrar ainda mais. Estamos indo em direção a um mundo dividido entre “zonas verdes” fortificadas para os ricos e “zonas vermelhas” para o resto. E “zonas negras” – prisões secretas – para quem não estiver satisfeito. Europa, Austrália e América do Norte estão fortificando (e privatizando) cada vez mais as fronteiras para se isolar daqueles que fogem de seus países para sobreviver. Muitas vezes, os próprios países que agora estão se fechando são em grande parte responsáveis pelas ondas de imigração, seja por meio de acordos comerciais predatórios, guerras ou desastres ambientais intensificados pelas mudanças climáticas.
De fato, se mapearmos as áreas que mais sofrem com conflitos armados atualmente – dos sangrentos campos de batalha no Afeganistão e Paquistão à Líbia, Iêmen, Somália e Iraque –, um fato nos salta aos olhos: esses são alguns dos lugares mais quentes e secos do planeta; são regiões à beira da fome e da seca, dois catalisadores de conflitos, que, por sua vez, ajudam a produzir migrantes.
E a mesma tendência a diminuir a humanidade do “outro” – tornando-nos insensíveis às vítimas civis de bombardeios em países como Iêmen e Somália – agora está sendo aplicada aos refugiados, cuja busca por segurança é vista como a invasão de um exército ameaçador. É nesse contexto que, de 2014 para cá, 13 mil pessoas que tentavam chegar à Europa morreram afogadas no Mediterrâneo, muitas delas crianças e bebês; é nesse contexto que a Austrália está tentando normalizar o encarceramento de refugiados em centros de detenção nas ilhas de Nauru e Manus, em condições classificadas por diversas organizações humanitárias como análogas à tortura. É nesse mesmo contexto que o gigantesco acampamento de refugiados de Calais, recém-desmantelado, foi apelidado de “selva” – da mesma forma que as vítimas abandonadas do Katrina foram chamadas pela mídia de direita de “animais”.
O dramático crescimento nas últimas décadas do nacionalismo de direita, do racismo, da islamofobia e do supremacismo branco em geral está intimamente ligado às novas tendências geopolíticas e ecológicas. A única maneira de justificar essas formas bárbaras de exclusão é apostando em teorias de hierarquização racial, que determinam quem merece ou não ser excluído das “zonas verdes”. É isso que está em jogo quando Trump chama os mexicanos de estupradores e “_hombres_maus”; quando os refugiados sírios são tachados de terroristas em potencial; quando a política conservadora canadense Kellie Leitch defende um teste de “valores canadenses” para imigrantes; ou quando sucessivos primeiros-ministros australianos classificam os sinistros campos de detenção como uma alternativa “humanitária” à morte no mar.
Esse é o resultado típico da instabilidade global em nações que nunca repararam os crimes do seu passado; em países que insistem em ver a escravidão e o roubo das terras indígenas como meros solavancos em uma história gloriosa. Afinal de contas, a separação entre zonas verdes e vermelhas já existia na sociedade escravocrata: os bailes na casa dos senhores aconteciam a poucos metros da tortura nos campos. E tudo isso nas terras violentamente arrancadas dos índios – terra sobre a qual a riqueza norte-americana foi construída. Agora, as mesmas teorias de hierarquia racial que justificaram tanta violência em nome do progresso estão ressurgindo à medida que a riqueza e o conforto que elas proporcionaram começa a se desgastar.
Trump é apenas uma manifestação precoce desse desgaste. Mas ele não é o único. E não será o último.
Moradores da favela da Mangueira assistem de longe aos fogos de artifício da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. (5 de agosto de 2016)
Foto: Mario Tama/Getty Images

Uma crise de imaginação

Cidades fortificadas exclusivas para os ricos, isolados do resto do mundo em luta pela sobrevivência. É sintomático que esse seja um tema recorrente de diversos filmes de ficção científica atualmente, como Jogos Vorazes, em que o decadente Capitólio enfrenta as colônias desesperadas; e Elysium, em que uma elite vive em uma estação espacial acima de uma enorme e violenta favela. Esta é uma visão entranhada na mitologia das grandes religiões ocidentais, com suas épicas narrativas sobre dilúvios purificadores e um pequeno grupo de eleitos; histórias de infiéis ardendo em chamas enquanto os justos se refugiam em uma cidade fortificada nos céus. A dicotomia entre vencedores e condenados está tão presente no nosso imaginário coletivo que é um verdadeiro desafio pensar em outros finais para a narrativa da humanidade; um final em que a raça humana se una em um momento de crise em vez de se separar; um final em as fronteiras sejam derrubadas em vez de multiplicadas.
Afinal de contas, o objetivo de toda essa tradição narrativa nunca foi simplesmente descrever o que inevitavelmente acontecerá com a humanidade. Não, essas histórias são um aviso, uma tentativa de abrir os nossos olhos para que possamos evitar o pior.
“Nós temos a capacidade de dar ao mundo um novo começo”, disse Thomas Paine muitos anos atrás, resumindo em poucas palavras o desejo de fugir de um passado que está no cerne tanto do colonialismo quanto do “sonho americano”. Porém, a verdade é que nós _não temos_esse poder divino de reinvenção; nunca o tivemos. Temos que conviver com nossos erros e problemas, bem como respeitar os limites do nosso planeta.
Mas o que nós temos é a capacidade de mudar, de reparar velhas injustiças e a nossa relação com o próximo e com o planeta em que vivemos. Essa é a base da resistência à Doutrina do Choque.
Adaptado do novo livro da Naomi Klein, _No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. _O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil. Foto do topo: Bombeiros do Kansas e de Oklahoma lutam contra um incêndio perto de Protection, no Kansas. (6 de março de 2017)
Tradução: Bernardo Tonasse
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2016.08.20 03:39 crashcap Sobre vaias, brasileiros e europeus:

Texto por Danilo Guiral Bassi no facebook
O lance não é que a torcida brasileira é o problema. O problema é esporte transformado em competição (inter)nacional mesmo. Competição esportiva internacional não é feita pra unir os povos. Competição esportiva tá ali é pra dividir, pra mostrar poder, pra fazer propaganda estatal e a caralhada toda. O resto é só resultado, geralmente não planejado, das aplicações locais das competições. E na América Latina, arquibancada é isso aí mesmo, torcida efusiva, vaia, choro, cachaça, grito e até rojão se passar pela revista na entrada - independente disso tudo ser bom ou ruim.
Quer palminhas discretas e insossas pra todo mundo? Vai fazer olimpíadas em Tóquio então! Opa, é verdade, vão fazer mesmo.
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2016.04.23 17:10 mateus_ln Safatle: Sob o olhar do mundo

Dilma está absolutamente certa em querer ir à ONU denunciar o golpe de Estado brasileiro. Sensibilizar a opinião pública mundial para o que está ocorrendo em nosso país é obrigação de todos os que querem uma democracia real no Brasil. Afinal, é sintomático que a imprensa mundial não tenha engolido o enredo do impeachment como prova de força da democracia brasileira, nem o enredo das "pedaladas fiscais" como crime supremo e o carnaval macabro do Congresso de Cunha como festa cívica da moralidade nacional. Tal cenário não é a expressão da consolidação democrática, mas a degradação final das ilusões políticas gestadas na Nova República.
O fato é que o mundo consegue ver o que uma boa parte da sociedade brasileira e sua imprensa monolítica não veem. Basta ler qualquer livro de realismo fantástico latino-americano para saber de onde saiu essa história de políticos corruptos procurando livrar o país da corrupção, de vice-presidentes sedentos de poder desestabilizando presidentes eleitos, de paladinos da Justiça que aplicam a lei de acordo com a conveniência do momento, de deputados homenageando torturadores em nome da democracia.
Essa teia de contradições que parecem se acomodar em uma naturalização da irracionalidade veio das páginas mais arcaicas da turbulenta história política de nosso continente. Ela é apenas a expressão de um arcaísmo que agora volta para tomar de vez as rédeas do governo.
Infelizmente, esse final farsesco já estava inscrito como uma possibilidade. Afinal, uma das maiores ilusões da Nova República foi acreditar que a redemocratização brasileira exigia de seus principais atores políticos a capacidade de tecer alianças com os setores mais arcaicos da sociedade.
Oligarcas locais que pareciam ter saído de novelas de Dias Gomes, pastores especialistas em lavagem de dinheiro, amantes de torturadores e do porrete do Exército, batedores de carteiras e medalhas, cruzados contra a "ideologia de gênero", devotos da motosserra, exportadores de carne enlatada para a África, homens brancos acostumados aos escaninhos da burocracia partidária foram cortejados por todos os que pregavam a ética da responsabilidade diante das "exigências de governabilidade".
Estes venderam a promessa de que a conciliação com tais setores era necessária para um processo lento, gradual e seguro de reformas que colocariam enfim o Brasil no compasso da modernidade. Eis a astúcia suprema dos que nos governaram nas últimas décadas: aliar-se ao atraso para garantir o progresso. O resultado está aí para o mundo inteiro admirar.
Os que defendem o impeachment discordam do cenário desenhado aqui. Eles afirmam que tudo foi feito respeitando a legalidade, que essa história de "golpe" é fruto de uma bem orquestrada ação de comunicação do governo, que há sim uma ressurreição cívica do povo brasileiro. Eles querem nos empurrar a ideia de que é justo porque está na lei, mesmo que a lei seja aplicada de maneira distorcida, por agentes animados por interesses escusos e pressionados por uma histeria midiática dada ao linchamento público de quem não comunga de sua cartilha.
No entanto, coloquem para si algumas questões. Não há tribunal algum no mundo cujo júri seja composto por cidadãos indiciados e por um juiz réu. O único lugar onde isso ocorre na galáxia é na Câmara brasileira dos Deputados com seu julgamento de impeachment. Por outro lado, se há um crime cuja gravidade é tamanha a ponto de levar ao afastamento de uma presidenta, então quem faz crimes semelhantes deve ser imediatamente afastado. Dilma será afastada pelas "pedaladas fiscais", que já foram utilizadas por 14 governadores, inclusive Alckmin e Richa. Diz a razão que eles também deveriam ser imediatamente afastados, pois cometeram crime agora compreendido como da mais alta gravidade. No entanto, isso não ocorreu nem ocorrerá porque o crime foi, na verdade, um pretexto, nada mais que isso, um simples pretexto.
Freud costumava dizer que a razão fala baixo, mas nunca se cala. Queiram ou não a história será escrita lembrando que, em 2016, o Brasil sofreu um golpe de Estado que lhe deu, de vez, as feições de um Estado oligárquico; que parte de sua população foi às ruas contra a corrupção aceitando jogar o país nas mãos do PMDB, simplesmente o partido com maior número de casos de corrupção na história da Nova República. Pode-se enganar alguns com essa história, mas não se engana o mundo inteiro.
fonte: http://www1.folha.uol.com.bcolunas/vladimirsafatle/2016/04/1763633-sob-o-olhar-do-mundo.shtml
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2015.10.18 14:24 RaulMarti CRISTINA KIRCHNER ENCERRA SEU MANDATO EN UMA ARGENTINA MENOS DESIGUAL (Do Portal Vermelho)

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, assumiu o cargo em um país que estava iniciando um processo de recuperação econômica e social. Ela deu continuidade ao projeto de seu marido, Néstor Kirchner e ousou ir além, se impôs de forma enérgica contra o imperialismo e foi protagonista na evolução do processo de integração continental.
Por Mariana Serafini
Reprodução Apesar de todas as conquistas obtidas durante esses dois mandatos, entre 2007 e 2015, Cristina Kirchner deixará uma Argentina com um longo caminho a ser percorrido rumo à redução da pobreza e das desigualdadesApesar de todas as conquistas obtidas durante esses dois mandatos, entre 2007 e 2015, Cristina Kirchner deixará uma Argentina com um longo caminho a ser percorrido rumo à redução da pobreza e das desigualdades Segundo a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), depois das políticas de inclusão e distribuição de renda criadas durante os mandatos Kirchner, a redução da pobreza foi rápida e notória. Em apenas três anos, entre 2006 e 2009, o índice de pessoas em alta vulnerabilidade social caiu de 21% para 11,3%, ou seja, quase 10%. Imediatamente a taxa de pobreza da Argentina se tornou a segunda mais baixas da América Latina, atrás apena do Uruguai.
Membros do governo e de partidos aliados acreditam que um dos grandes trunfos do mandato de Cristina foi a criação da Asignación Universal por Hijo, um programa social de distribuição de renda equivalente ao Bolsa Família no Brasil. A presidenta também deu ouvidos às reivindicações do movimento sindical e aumentou os salários, além de adotar regras para melhorar as condições de trabalho.
Com relação à economia, a presidenta tomou decisões ousadas, como a renacionalização da empresa de petróleo argentina, a YPF, e outras indústrias que haviam sido privatizadas durante o período neoliberal encabeçado pelo presidente Carlos Menem (1989 – 1999), entre elas a empresa aérea Aerolíneas Argentinas; além disso, estatizou a previdência social, ampliou o investimento do PIB em Educação e fez reformas importantes no Banco Central.
Ainda durante o primeiro mandato, Cristina aprovou a Lei do Casamento Igualitário. Os setores mais reacionários fizeram especulações, na época, de que esta seria a principal causa a prejudicar a reeleição da presidenta. No entanto, ela se reelegeu em 2011 com larga vantagem, mais de 53% dos votos, esta foi a maior vitória eleitoral desde Raúl Alfonsin em 1983.
Uma das mais sangrentas ditaduras militares do continente foi a argentina, estima-se que 30 mil pessoas foram assassinadas por agentes do regime e mais de um milhão de argentinos fugiram do país. Diferente do Brasil, lá a Lei de Anistia que protegia os crimes da ditadura foi julgada inconstitucional pela Suprema Corte de Justiça do país em 2005. Desde então aproximadamente 300 militares já foram condenados à prisão, entre eles, dois ex-presidentes: Reynaldo Bignone que foi condenado à prisão perpétua em 2011 e segue encarcerado e Jorge Videla que morreu, no cárcere, em 2013.
Em 2009 a presidenta Cristina Kirchner conquistou a aprovação da Ley de Medios, que democratizou os meios de comunicação. Esta é outra pauta bastante discutida no Brasil por diversas entidades, coletivos e movimentos sociais, entre eles o Barão de Itararé e o Intervozes. Na Argentina a lei possibilitou combater o monopólio dos grandes grupos de comunicação, isso porque estabelece que cada grupo pode ter, no máximo, 24 licenças de TV a cabo e 10 licenças de serviços abertos (contando TV e rádios AM e FM).
Com estas medidas foi possível instalar 152 rádios comunitária em escolas de primeiro e segundo grau, 45 TVs e 53 rádios FM universitárias, além de criar o primeiro canal da TV e 33 canais de radio ligados aos povos originários. A TV pública argentina adquiriu os direitos de transmissão dos jogos de futebol e democratizou também o acesso dos clubes, desta forma conquistou a audiência popular.
Recentemente a Argentina lançou com sucesso seu segundo satélite totalmente idealizado e produzido no país, o Arsat-2. Isso foi possível porque uma das primeiras medidas de Cristina, assim que assumiu a presidência foi criar o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva e um polo científico tecnológico em Buenos Aires integrado por três institutos: Ciências Sociais e Humanas, Ciências Biomédicas e Biotecnólogas e Ciências Exatas e Tecnológicas. Os investimentos feitos em investigações e pesquisas foi superior a 500% do que existia antes, isso garantiu um aumento de 93,2% de pesquisadores.
Ainda na questão de educação e tecnologia, em 2010 a presidenta deu início ao programa Conectar com Igualdade, cujo objetivo era distribuir mais de dois milhões de notebooks com acesso à internet em todas as escolas públicas primárias e secundárias do país. Já no começo de 2011 a maior parte do plano havia sido cumprida.
Com relação à política externa, Cristina travou batalhas importantes, a mais expressiva dos últimos tempos foi a dos Fundos Abutres, onde a presidenta confrontou as intenções imperialistas de quebrar economicamente o Estado por meio da cobrança de dívidas com juros exorbitantes.
A mandatária também se afastou do Consenso de Washington e jogou papel fundamental para o fortalecimento da integração dos países da América Latina e do Caribe. Deu continuidade ao projeto integracionista iniciado por Néstor Kirchner ao defender a ampliação do Mercosul, com o ingresso da Venezuela, durante a suspensão do Paraguai depois do golpe parlamentar, além de fomentar o fortalecimento da Unasul e da Celac.
Apesar de todas as conquistas obtidas durante esses dois mandatos, entre 2007 e 2015, Cristina Kirchner deixará uma Argentina com um longo caminho a ser percorrido rumo à redução da pobreza e das desigualdades, da expansão universitária nos setores mais vulneráveis e no fim dos resquícios do neoliberalismo que levou o país à banca rota no final dos anos 90.
O candidato apoiado por ela, Daniel Scioli, em discursos de campanha se comprometeu em dar continuidade ao projeto “kirchnerista” e segue liderando as pesquisas eleitorais. O primeiro turno das eleições acontece no dia 25 de outubro. Caso o processo seja levado à 2º turno, este acontece no dia 22 de novembro.
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2015.07.06 01:47 nmarcolan Carlos Goés sobre a questão grega

Em fevereiro de 1987 um líder latino-americano se rebelou contra o pagamento de uma dívida insustentável e se recusou a enviar recursos aos credores internacionais. Sem acesso a moeda estrangeira, o país enfrentou um corte profundo nas importações e no consumo da população. Diversos produtos essenciais, como remédios, passaram a ser inacessíveis para a população. Com medo de crises bancárias, a população aumentou sua demanda por moeda, mesmo num país com alta inflação, e a taxa de juros disparou. Em pouco tempo, tal líder, que até hoje detém o recorde de popularidade de um presidente já teve em seu país, se veria com altíssima rejeição popular. Nos anos seguintes tal país enfrentaria hiperinflação, a total falência do sistema de preços, e o assalto público à poupança popular. Ainda seria necessário mais de uma década para que a população daquele país vivesse em um ambiente em que trabalhadores e empregadores podem fazer planos, poupar e investir sem medo de perda do poder de compra e com o mínimo de racionalidade.
Tal líder era José Sarney e tal país o Brasil. Eu espero que o destino do povo grego seja distinto, mas cada vez mais a tragédia grega parece uma novela latina. Fora do euro, parece improvável que os políticos gregos resistiram à tentação de imprimir moeda para financiar os gastos que eles prometeram à população. E, da história de nuestra Latinoamérica, a gente sabe que esse seria o primeiro passo para uma espiral inflacionária.
Não é a primeira vez que populistas - seja na direita ou na esquerda - fazem promessas impossíveis de cumprir e não se importam em sacrificar as gerações futuras para manter privilégios correntes. O ajuste é duro e a população sofre com ele. Mas a moratória e o que dela tende a vir, como bem sabe quem já teve Sarney como presidente, em geral é bem pior. Cenas que vimos na última semana, com idosos impossibilitados de retirar suas economias do banco por causa de uma decisão do governo, vão se proliferar.
A popularidade do governo grego vai aumentar no curto prazo. Se isso vai durar? Como eles vão entrar pra história? Vale perguntar a Sarney.
Como dizia Marx, a história realmente se repete. Mas Marx errou. Primeiro ela vem como novela e depois como tragédia. Não importa se vai ser tragédia grega ou novela latina, só temos a certeza que vai ser duríssimo e uma geração vai ser sacrificada. Essa é a verdadeira tragédia.
Carlos Goés, analista econômico, em um post em seu facebook.
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2015.04.11 15:20 moccelin EZTETYKA DO SONHO (1971) de Glauber Rocha

Glauber Rocha foi o mais louco e o mais genial cineasta brasileiro de todos os tempos. Nasceu na cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia. É dele a afirmação: "a função do artista é violentar". A ditadura militar planejou matá-lo. Em 77 invadiu o velório do pintor Di Cavalcanti e narrou como se fosse uma partida de futebol filmada. Queria chocar o mundo. Não suportava a rotina.
devida apresentação, segue o texto EZTETYKA DO SONHO (1971)
No Seminário do Terceiro Mundo, realizado em Gênova, Itália, 1965, apresentei, a propósito do cinema novo brasileiro, “A estética da fome”.
Esta comunicação situava o artista do Terceiro Mundo diante das potências colonizadoras: apenas uma estética da violência poderia integrar um significado revolucionário em nossas lutas de liberação.
Dizia que nossa pobreza era compreendida mas nunca sentida pelos observadores coloniais.
1968 foi o ano das rebeliões da juventude.
O maio francês aconteceu no momento em que estudantes e intelectuais brasileiros manifestavam no Brasil seu protesto contra o regime militar de 1964.
Terra em transe, 1966, um manifesto prático da estética da fome, sofreu no Brasil críticas intolerantes da direita e dos grupos sectários da esquerda.
Entre a repressão interna e a repercussão internacional aprendi a melhor lição: o artista deve manter sua liberdade diante de qualquer circunstância.
Somente assim estaremos livres de um tipo muito original de empobrecimento: a oficialização que os países subdesenvolvidos costumam fazer de seus melhores artistas.
Este congresso em Colúmbia é uma oportunidade que tenho para desenvolver algumas idéias a respeito de arte e revolução. O tema da pobreza está ligado a isto.
As Ciências Sociais informam estatísticas e permitem interpretações sobre a pobreza.
As conclusões dos relatórios dos sistemas capitalistas encaram o homem pobre como um objeto que deve ser alimentado. E nos países socialistas observamos a permanente polêmica entre os profetas da revolução total e os burocratas que tratam o homem como objeto a ser massificado. A maioria dos profetas da revolução total é composta por artistas. São pessoas que têm uma aproximação mais sensitiva e menos intelectual com as massas pobres.
Arte revolucionária foi a palavra de ordem no Terceiro Mundo nos anos 60 e continuará a ser nesta década. Acho, porém, que a mudança de muitas condições políticas e mentais exige um desenvolvimento contínuo dos conceitos de arte revolucionária.
Primarismo muitas vezes se confunde com os manifestos ideológicos. O pior inimigo da arte revolucionária é sua mediocridade. Diante da evolução sutil dos conceitos reformistas da ideologia imperialista, o artista deve oferecer respostas revolucionárias capazes de não aceitar, em nenhuma hipótese, as evasivas propostas. E, o que é mais difícil, exige uma precisa identificação do que é arte revolucionária útil ao ativismo político, do que é arte revolucionária lançada na abertura de novas discussões do que é arte revolucionária rejeitada pela esquerda e instrumentalizada pela direita.
No primeiro caso eu cito, como homem de cinema, o filme de Fernando Ezequiel Solanas, argentino, La hora de Los Hornos. É um típico panfleto de informação, agitação e polêmica utilizado atualmente em várias partes do mundo por ativistas políticos.
No segundo caso tenho alguns filmes do cinema novo brasileiro entre os quais meus próprios filmes.
E por último a obra de Jorge Luis Borges.
Esta classificação revela as contradições de uma arte expressando o próprio caso contemporâneo. Uma obra de arte revolucionária deveria não só atuar de modo imediatamente político como também promover a especulação filosófica, criando uma estética do eterno movimento humano rumo à sua integração cósmica.
A existência descontínua desta arte revolucionária no Terceiro Mundo se deve fundamentalmente às repressões do racionalismo.
Os sistemas culturais atuantes, de direita e de esquerda, estão presos a uma razão conservadora. O fracasso das esquerdas no Brasil é resultado deste vício colonizador. A direita pensa segundo a razão da ordem e do desenvolvimento. A tecnologia é ideal medíocre de um poder que não tem outra ideologia senão o domínio do homem pelo consumo. As respostas da esquerda, exemplifico outra vez no Brasil, foram paternalistas em relação ao tema central dos conflitos políticos: as massas pobres.
O Povo é o mito da burguesia.
A razão do povo se converte na razão da burguesia sobre o povo.
As variações ideológicas desta razão paternalista se identificam em monótonos ciclos de protesto e repressão. A razão de esquerda revela herdeiro da razão revolucionária burguesa européia. A colonização, em tal nível, impossibilita uma ideologia revolucionária integral que teria na arte sua expressão maior, porque somente a arte pode se aproximar do homem na profundidade que o sonho desta compreensão possa permitir.
A ruptura com os racionalismos colonizadores é a única saída.
As vanguardas do pensamento não podem mais se dar ao sucesso inútil de responder à razão opressiva com a razão revolucionária. A revolução é a anti-razão que comunica as tensões e rebeliões do mais irracional de todos os fenômenos que é a pobreza.
Nenhuma estatística pode informar a dimensão da pobreza.
A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem e repercute psiquicamente de tal forma que este pobre se converte num animal de duas cabeças: uma é fatalista e submissa à razão que o explora como escravo. A outra, na medida em que o pobre não pode explicar o absurdo de sua própria pobreza, é naturalmente mística.
A razão dominadora classifica o misticismo de irracionalista e o reprime à bala. Para ela tudo que é irracional deve ser destruído, seja a mística religiosa, seja a mística política. A revolução, como possessão do homem que lança sua vida rumo à idéia, é o mais alto astral do misticismo. As revoluções fracassam quando esta possessão não é total, quando o homem rebelde não se libera completamente da razão repressiva, quando os signos da luta não se produzem a um nível de emoção estimulante e reveladora, quando, ainda acionado pela razão burguesa, método e ideologia se confundem a tal ponto que paralisam as transações da luta.
Na medida em que a desrazão planeja as revoluções a razão planeja a repressão.
As revoluções se fazem na imprevisibilidade da prática histórica que é a cabala do encontro das forças irracionais das massas pobres. A tomada política do poder não implica o êxito revolucionário.
Há que tocar, pela comunhão, o ponto vital da pobreza que é seu misticismo. Este misticismo é a única linguagem que transcende ao esquema racional da opressão. A revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora. No máximo é vista como uma possibilidade compreensível. Mas a revolução deve ser uma impossibilidade de compreensão para a razão dominadora de tal forma que ela mesma se negue e se devore diante de sua impossibilidade de compreender.
O irracionalismo liberador é a mais forte arma do revolucionário. E a liberação, mesmo nos encontros da violência provocada pelo sistema, significa sempre negar a violência em nome de uma comunidade fundada pelo sentido do amor ilimitado entre os homens. Este amor nada tem a ver com o humanismo tradicional, símbolo da boa consciência dominadora.
As raízes índias e negras do povo latino-americano devem ser compreendidas como única força desenvolvida deste continente. Nossas classes médias e burguesias são caricaturas decadentes das sociedades colonizadoras.
A cultura popular não é o que se chama tecnicamente de folclore, mas a linguagem popular de permanente rebelião histórica.
O encontro dos revolucionários desligados da razão burguesa com as estruturas mais significativas desta cultura popular será a primeira configuração de um novo significado revolucionário.
O sonho é o único direito que não se pode proibir.
A “Estética da fome” era a medida da minha compreensão racional da pobreza em 1965.
Hoje recuso falar em qualquer estética. A plena vivência não pode se sujeitar a conceitos filosóficos. Arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda.
Borges, superando esta realidade, escreveu as mais liberadoras irrealidades de nosso tempo. Sua estética é a do sonho. Para mim é uma iluminação espiritual que contribuiu para dilatar a minha sensibilidade afro-índia na direção dos mitos originais da minha raça. Esta raça, pobre e aparentemente sem destino, elabora na mística seu momento de liberdade. Os Deuses Afro-índios negarão a mística colonizadora do catolicismo, que é feitiçaria da repressão e da redenção moral dos ricos.
Não justifico nem explico meu sonho porque ele nasce de uma intimidade cada vez maior com o tema dos meus filmes, sentido natural de minha vida.
Maranhão 66 http://www.youtube.com/watch?v=hDRtFYjOtCY
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2013.05.28 10:53 cavadela "mais insultuoso do que alguém chamar-lhe palhaço é ele ocupar o tempo do Ministério Público com palhaçadas."

Este artigo está por detrás da paywall do Público. Excepcionalmente copio porque vale a pena (tal como a assinatura do jornal btw)
in http://www.publico.pt/opiniao/jornal/toda-a-palhacada-sera-castigada-26597071
Toda a palhaçada será castigada
JOÃO MIGUEL TAVARES 28/05/2013 - 00:00
Portugal tem a agradecer ao senhor Presidente da República o facto de ter vindo relembrar o povo, neste momento tão importante da sua história, que existe um artigo no Código Penal Português - o 328.º - que atribui ao titular de um cargo político um direito de protecção da honra que não é reconhecido a mais ninguém. Portugal é uma originalidade nesta matéria? Não, também há leis semelhantes em França ou Itália, mas sobretudo em países africanos, do Leste europeu, islâmicos ou latino-americanos. Digamos que, à medida que o amor à liberdade de expressão diminui, a protecção da honra dos presidentes aumenta, e por isso é particularmente triste ver Cavaco a enviar queixinhas para a Procuradoria-Geral da República porque Miguel Sousa Tavares lhe chamou palhaço.
Não custa perceber que este resquício do crime de lesa-majestade que perdura no nosso código penal é especialmente ofensivo nos tempos que correm, mas parece faltar ao excelentíssimo senhor professor doutor Presidente Cavaco Silva sensibilidade suficiente para entender que, num país garroteado pela austeridade, mais insultuoso do que alguém chamar-lhe palhaço é ele ocupar o tempo do Ministério Público com palhaçadas. Mais. Numa democracia saudável, não só não faz sentido que a honra do Presidente da República seja mais protegida do que a de um cidadão comum, como, pelo contrário, a sua honra deveria estar mais exposta, enquanto titular de poder, ao exercício da liberdade de expressão.
Nos Estados Unidos, esse país tão atrasado, insultar o Presidente é perfeitamente legítimo. Não se pode ameaçar o Presidente, mas insultá-lo, sim. Em 2006, no caso Guiles v. Marineau, uma escola foi condenada por impedir um aluno de envergar uma t-shirt ofensiva para com o então Presidente George W. Bush, e ainda na passada quinta-feira Barack Obama teve de aturar várias intervenções muito desagradáveis por parte de uma activista anti-drones, que insistia em interrompê-lo enquanto discursava.
Mas a verdade é que o respeitinho está tão entranhado na nossa pele que até o habitualmente ousado Miguel Sousa Tavares se desdobrou em actos de contrição, acabando a sacudir a água do capote para cima da jornalista que o entrevistou. "Fui atrás da pergunta", disse ele. "Não é uma coisa que me tenha saído espontaneamente." Se, em vez de perder tempo a desenvolver o curioso conceito de insulto espontâneo dito de forma não-espontânea, Miguel Sousa Tavares tivesse ido pesquisar o leque de crimes contra o Estado previstos no código penal, teria encontrado, vinte artigos antes do 328.º, o 308.º. Após essa descoberta bastar-lhe-ia enviar à PGR um bilhetinho a dizer: "Solicito que analise o comportamento do Presidente da República à luz do artigo 308.º do Código Penal."
Afinal, código penal com código penal se paga, e isto dos políticos quererem os direitos sem cumprirem os deveres já começa a enjoar. Ora, o artigo 308.º penaliza - e bem - a traição à pátria por parte de quem exerce funções de soberania. Reza assim: "Quem ofender ou puser em perigo a independência do País é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos." Ora, se a honra do Presidente está ofendida, qualquer tribunal concordará que muito mais ofendida está a independência e a honra do país. Portanto, se Miguel Sousa Tavares for para a cadeia, parece-me de elementar justiça que Cavaco Silva seja o seu companheiro de cela.
Jornalista [email protected]
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